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Brasileira morre de câncer na Bélgica, e família denuncia golpe e abusos

Cristianny Fernandes de Sousa, de 30 anos, foi vítima de abusos na Bélgica - Arquivo pessoal
Cristianny Fernandes de Sousa, de 30 anos, foi vítima de abusos na Bélgica Imagem: Arquivo pessoal

Colaboração para o UOL, em São Paulo

12/05/2021 14h20Atualizada em 13/05/2021 12h21

A goiana Cristianny Fernandes de Sousa, de 30 anos, que morreu no último domingo (9) vítima de um câncer no útero foi, de acordo com a família, vítima de violência sexual em Bruxelas, na Bélgica. Mãe de duas crianças, que ficaram no Brasil, ela contraiu uma infecção após sofrer constantes abusos e ser mantida em cativeiro por um homem que lhe prometeu trabalho no país.

Segundo a sobrinha da vítima Cleia Gonçalves, de 30 anos, Cristianny morava em Aragoiânia, na Região Metropolitana de Goiânia, e foi apresentada por intermédio de uma brasileira a um português na internet em 2019. O homem lhe prometeu um trabalho em Bruxelas como funcionária de limpeza em uma suposta empresa.

Cristianny recebeu dinheiro para fazer o passaporte no Brasil e para arcar com as custas da viagem até a Bélgica. Com o negócio fechado, ela embarcou para a Europa no mesmo ano.

"Eu não sei o que aconteceu que ele passou a prender ela em casa. Manteve ela em cárcere privado, começou a abusar sexualmente dela, e aí ele a machucou", contou Cleia ao UOL.

A partir daí começaram os problemas porque ela pegou uma infecção. Logo depois ela tratou essa infecção, mas não estava melhorando e com o passar do tempo teve um câncer"

Cristianny foi submetida a sessões de quimioterapia na Bélgica e chegou a melhorar da doença. Entretanto, o câncer retornou de uma forma "avassaladora", como classificou a sobrinha.

Nesse período, ela nunca esteve sozinha. Ela contou com o apoio de uma assistência social e sempre esteve acompanhada de muita gente. Eles foram ao médico, fizeram os exames e foi constatado que o câncer foi de fato ocorrido pelo abuso"

De acordo com Cleia, Cristianny ficou por 15 dias em situação de cárcere privado e foi resgatada por uma outra brasileira que também mora na Bélgica. Ela alega que chegou ao seu conhecimento que mais 20 brasileiras denunciaram às autoridades de Bruxelas o homem por violência sexual. Segundo ela, todas as vítimas são mulheres.

"Algumas das pessoas são daqui. Outras já conseguiram fugir dele", disse ela.

Agora, a família busca trazer o corpo de Cristianny de volta para o Brasil. Em contato com o governo de Goiás, Cleia afirmou que o programa de auxílio corresponde apenas ao valor referente a cremação e que a família, no entanto, busca trazer o corpo da vítima para ser velado no país de origem.

Amigos de Cristianny estão realizando uma vaquinha na Bélgica para ajudar a arcar com os custos que deverão ser pagos adicionalmente. A previsão é de que o translado aconteça até a sexta da semana que vem.

Cristianny deixa duas filhas, uma de 5 e outra de 8.

O UOL entrou em contato com o Itamaraty que afirmou que "já foi informado sobre o caso".

"As autoridades consulares brasileiras na Bélgica prestam toda a assistência à família da cidadã, mantendo contato com pessoas próximas à falecida com vistas ao encaminhamento das providências necessárias na situação", diz nota.

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