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Peru apura 100% das urnas, mas resultado da eleição depende da Justiça

Lula, Fernández e Evo já cumprimentaram Castillo por vitória contra Fujimori; Bolsonaro disse: "Perdemos" - Cesar Bazan e Martin Mejia/AFP
Lula, Fernández e Evo já cumprimentaram Castillo por vitória contra Fujimori; Bolsonaro disse: 'Perdemos' Imagem: Cesar Bazan e Martin Mejia/AFP

Do UOL, em São Paulo

11/06/2021 10h56Atualizada em 11/06/2021 23h20

O socialista Pedro Castillo (Peru Livre) ainda mantém uma ligeira vantagem sobre a conservadora Keiko Fujimori (Força Popular) nas eleições presidenciais no Peru. O ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais, na sigla em espanhol) já processou 100% das urnas, mas apenas 99,76% das cédulas foram contabilizadas.

O órgão que apura as eleições no país andino aponta que Castillo tem 50,16% dos votos válidos (8.826.963), enquanto Keiko aparece com 49,84% (8.770.651), segundo atualização realizada às 22h49 (horário de Brasília, 20h49 em Lima). A diferença é de, portanto, apenas 56.312 votos.

Ao todo, 207 das 86.488 atas eleitorais foram encaminhadas ao JNE (Júri Nacional de Eleições) para observação por conterem votos contestados, dados incompletos, ilegibilidades e etc. — fato este que tem travado o anúncio do próximo presidente do país.

No último domingo (6), quando a contagem dos votos começou no Peru, Keiko apareceu liderando a disputa, mas foi superada por Castillo conforme a apuração foi chegando nas áreas rurais do país, onde o socialista é mais forte politicamente.

Keiko começou a diminuir lentamente a vantagem conforme os votos de peruanos no estrangeiro começaram a ser revelados, mas a possibilidade da líder conservadora de conseguir reverter o resultado contra Castillo é mínima.

O novo presidente peruano tomará posse em 28 de julho e comandará um país em crise, que teve quatro chefes de Estado desde 2018 e que registra a maior taxa de mortalidade do mundo pela pandemia, com mais de 185 mil mortes em uma população de 33 milhões de habitantes.

Protesto por supostas fraudes

Na última quarta-feira (9), Keiko entrou com uma ação judicial solicitando a anulação de 200 mil votos na disputa contra Castillo. A candidata conservadora tem falado em supostas "irregularidades" e "indícios de fraude" no pleito.

As acusações de fraudes sistemáticas tem sido, por enquanto, rechaçadas pelas autoridades eleitorais peruanas e por observadores internacionais, que apenas apontam incidentes isolados envolvendo eleitores.

Mais cedo, no mesmo dia, Castillo, mesmo sem a confirmação da Justiça Eleitoral, já se apresentou como vencedor das eleições e passou a ser cumprimentado por líderes da esquerda latino-americana, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), porém, foi na contramão, lamentando a provável vitória de Castillo no Peru. "Perdemos agora o Peru. Voltou [a esquerda], pelo que tudo indica. Só um milagre para reverter", afirmou.

Quem é Keiko Fujimori

Caso consiga reverter a balança eleitoral, Keiko, que é filha do ex-ditador de extrema-direita Alberto Fujimori, que governou o Peru durante a década de 1990, poderá se tornar a primeira mulher a se tornar presidente do Peru.

A política peruana é acusada de participar de um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo a empreiteira Odebrecht para financiar campanhas em 2011 e 2016, quando perdeu a Presidência para Ollanta Humala e Pedro Pablo Kuczynski, respectivamente.

Ontem, um procurador integrante da força-tarefa da Lava Jato do Peru pediu a prisão preventiva de Keiko sob o argumento de que a conservadora não está cumprindo com a liberdade condicional que a Justiça lhe concedeu.

A partir de outubro de 2018, Keiko ficou presa preventivamente por 13 meses pelo caso envolvendo a empreiteira brasileira. Em novembro de 2019, a política peruana foi posta em liberdade depois que a Justiça lhe concedeu um habeas corpus.

Apoiada pela popularidade do pai, que foi condenado, em 2009, a 25 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade cometidos durante a década de 1990, Keiko já prometeu que, se ganhar, vai perdoar o ex-presidente.

Quem é Pedro Castillo

Castillo saiu do anonimato há quatro anos, após liderar uma greve nacional de professores. Nas eleições deste ano, a promessa do socialista é a de "não haver mais pobres em um país rico".

O professor nasceu em Puña, povoado localizado no distrito de Chota, na região norte de Cajamarca, onde viveu e trabalhou como professor em uma escola rural durante 24 anos.

Católico e casado com uma evangélica, Castillo tem opiniões conservadores sobre temas como o direito ao aborto e ao casamento homossexual enquanto mantém um viés socialista sobre temas econômicos.

Durante a campanha, Castillo sempre aparecia ostentando um chapéu branco típico de Cajamarca na cabeça, percorrendo regiões do Peru montado em um cavalo.

Se eleito, Castillo e o partido do qual é filiado, o Peru Livre, planejam trabalhar por uma Assembleia Constituinte para redigir uma nova Constituição para o Peru em até seis meses — a atual é datada de 1993, um legado da era de Alberto Fujimori.

(Com AFP, EFE e RFI)

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