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2 meses

Presidente e vice do Afeganistão deixam país para evitar 'banho de sangue'

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, durante fala ao parlamento em Kabul, em agosto de 2021 - Stringer/Reuters
O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, durante fala ao parlamento em Kabul, em agosto de 2021 Imagem: Stringer/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

15/08/2021 11h06Atualizada em 15/08/2021 17h36

O Taleban tomou o poder no Afeganistão. O grupo assumiu Cabul, capital do país, e retomou o controle 20 anos após a entrada das tropas norte-americanas.

O presidente Ashraf Ghani e seu vice, Amrullah Saleh, deixaram o país horas após a entrada do Taleban na capital, conforme relatado por um funcionário de alto escalão do Ministério do Interior do governo.

Ghani teria embarcado para o Tajiquistão, segundo informações da agência Reuters. O local não foi confirmado pelo funcionário por motivos de segurança.

Em um post hoje no Facebook, Ghani disse ter deixado o país para evitar "um banho de sangue". "Hoje, deparei-me com uma escolha difícil; deveria suportar e enfrentar os talebans armados que queriam entrar no palácio ou sair do país que dediquei a minha vida a proteger os últimos vinte anos."

Os talebans conseguiram me retirar, eles estão ali para atacar o povo de Cabul. Para evitar o banho de sangue, achei que era melhor sair.

Segundo a agência Reuters, o grupo tem o "controle do palácio presidencial afegão". Mais cedo, fontes ouvidas pela CNN afirmaram que oito pessoas do Taleban haviam entrado no palácio.

Imagens exclusivas da Al Jazeera mostram integrantes do grupo no palácio presidencial.

taleban - Reprodução/Al Jazeera - Reprodução/Al Jazeera
Combatentes do Taleban dentro do palácio presidencial do Afeganistão
Imagem: Reprodução/Al Jazeera

Além disso, há outros integrantes sentados no gabinete oficial de uma das províncias locais.

Autoridades do grupo disseram à Reuters que não haverá governo de transição e esperam uma transferência completa do poder. A embaixada dos Estados Unidos disse ter recebido relatos de incêndio no aeroporto de Cabul e orientou os cidadãos a deixarem o país.

O movimento do presidente ocorreu após o Taleban assumir nas últimas horas cidades importantes do país, como Jalalabad e Mazar-i-Sharif, sem encontrar muita resistência.

Depois delas, a capital Cabul foi cercada. Até então, ela era a única das grandes cidades que ainda estava sob controle do governo.

Informações da emissora CNN afirmam que a bandeira da Embaixada dos Estados Unidos foi abaixada na capital, simbolizando o fim da evacuação.

Nas primeiras horas de hoje, um funcionário do Ministério do Interior disse que o Taleban estava chegando "de todos os lados" e houve relatos de tiros nas proximidades da cidade.

Representantes do grupo insurgente, porém, anunciaram que a busca seria por uma rendição pacífica.

Mais cedo, o ministro interino do Interior afegão, Abdul Sattar Mirzakwal, havia sinalizado a possibilidade de uma negociação, dizendo que a capital não seria atacada e que haverá uma "transição pacífica de poder".

afeganistão - Stringer/Reuters - Stringer/Reuters
Um combatente do Taleban observa enquanto ocupa a cidade de Ghazni, no Afeganistão
Imagem: Stringer/Reuters

Procurado, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou que está monitorando a situação da região, mas afirmou que não tem registro de brasileiros vivendo no Afeganistão.

O Itamaraty também disse que até o momento nenhuma medida de proteção a funcionários da embaixada brasileira está prevista. A representação diplomática da capital do Paquistão é a responsável por representar, cumulativamente, o país no Afeganistão.

Tomadas de Jalalabad e Mazar-i-Sharif

Horas antes de cercar Cabul, o Taleban assumiu o controle da cidade oriental de Jalalabad sem encontrar resistência, conseguindo acesso a uma das principais rodovias do país.

Eles também ocuparam o posto fronteiriço de Torkham com o Paquistão, deixando o aeroporto de Cabul como a única saída do Afeganistão que ainda está nas mãos do governo.

A captura de Jalalabad ocorreu após o Taleban também tomar a cidade de Mazar-i-Sharif, no norte do país, na noite de ontem, também com poucos combates.

"Não há confrontos ocorrendo agora em Jalalabad porque o governador se rendeu ao Taleban. Permitir a passagem para o Taleban era a única maneira de salvar vidas civis", disse", disse uma autoridade afegã baseada em Jalalabad à Reuters.

Malala aponta preocupação com minorias

Pelas redes sociais, a ativista dos direitos humanos e das mulheres e ganhadora do prêmio Nobel da Paz, Malala Yousafzai, pediu que as potências "nacionais, regionais e locais" clamem pelo cessar-fogo imediato na região.

"Assistimos em completo choque enquanto o Taleban toma o controle do Afeganistão. Estou tremendamente preocupada com as mulheres, as minorias e os ativistas de direitos humanos da região", escreveu.

A vencedora do prêmio Nobel da Paz de 2014 também pediu que os países providenciem ajuda humanitária e proteja os refugiados e civis da região.

Diplomatas americanos evacuados

Diante da aproximação do Taleban, diplomatas americanos foram transportados de helicóptero para o aeroporto da embaixada no distrito fortificado de Wazir Akbar Khan. Outras nações também se movimentam para retirar funcionários e cidadãos do Afeganistão.

Depois que as forças lideradas pelos EUA retiraram a maior parte de suas tropas restantes no mês passado, a campanha do Taleban se acelerou enquanto as defesas militares afegãs pareciam entrar em colapso.

O presidente Joe Biden autorizou no sábado o envio de 5 mil soldados americanos para ajudar a evacuar os cidadãos e garantir uma retirada "ordenada e segura" de militares.

Em 14 de abril de 2021, Biden anunciou a retirada das tropas até 11 de setembro deste ano. "Agora sou o quarto presidente dos Estados Unidos a presidir a presença de tropas americanas no Afeganistão: dois republicanos e dois democratas. Não vou passar essa responsabilidade para um quinto", disse o presidente na época.

*Com informações das agências AFP, Ansa e Reuters

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