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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


O que acontece quando um general morre na guerra? Baixas indicam erro russo

Coronel Oleksandr Oksanchenko (Ucrânia), Vladimir Zhoga (que comandava grupo neonazista russo), Andrey Sukhovetsky (Exército da Rússia) e Nikolai Kravchenko (Batalhão Azov) entre os mortos na guerra - Arte UOL
Coronel Oleksandr Oksanchenko (Ucrânia), Vladimir Zhoga (que comandava grupo neonazista russo), Andrey Sukhovetsky (Exército da Rússia) e Nikolai Kravchenko (Batalhão Azov) entre os mortos na guerra Imagem: Arte UOL

Nicole D'Almeida

Colaboração para o UOL

22/05/2022 04h00

Após mais de 80 dias da invasão da Ucrânia pela Rússia, chama a atenção a quantidade de generais russos que estão sendo mortos em combate. Isso surpreendeu os analistas militares, porque os oficiais de alta patente têm o papel de conduzir estrategicamente a batalha. Ou seja, são eles que tomam decisões mais amplas, como começar uma ofensiva ou até uma guerra. Não é comum que eles estejam na linha de frente do combate.

Parece que não é bem isso que está acontecendo no exército russo. Segundo as autoridades ucranianas, 12 generais russos teriam sido mortos na linha de frente, de acordo com estimativa obtida pelo The New York Times.

Quem substitui o general?

Quando um general é morto durante uma batalha, imediatamente ele é substituído por outra pessoa.

Isso não acontece somente com altas patentes, mas com todos os oficiais. Há uma disciplina militar que torna o exército extremamente organizado.

João Pedro de Sá Teles, internacionalista especializado em defesa, explica que a substituição segue uma hierarquia, que não é necessariamente perpétua. "A partir do momento que o comando é notificado da perda de um oficial, outro oficial pode ser designado para o posto e aí você vai recolocando pessoas", diz.

Em uma unidade de exército composta por mais de um general, quando um morre, ele é substituído por outro de mesma patente. Já em uma unidade menor, que tenha apenas um general, um coronel sobe hierarquicamente e substituiu o general morto.

Em tese, isso deve acontecer automaticamente, mas dependendo do nível de confusão e do nível de competência da força isso pode ficar comprometido, ressalta o especialista.

Como afeta o exército?

Por mais que a morte de um general não deixe o posto vago, isso pode causar uma desorganização temporária no exército.

"Afeta muito a moral de uma tropa, refletindo até na vontade dos soldados em estarem ali e no respeito que eles têm à hierarquia e sua liderança", explica Teles.

Além disso, há a questão da experiência também.

"Imagina, já temos dois meses de guerra e morre um general agora. Ele é substituído por um general que não estava em combate, que vem da reserva. Ou seja, chega em um conflito sem os meses de experiência que o outro que morreu tinha e vai ter de aprender algumas coisas", completa.

A estratégia russa falhou

Para Gunther Rudzit, doutor em Ciência Política especializado em Segurança Internacional e professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), as mortes dos diversos generais indicam que os russos estão tendo que supervisionar muito mais de perto os acontecimentos, "porque ficou claro que a estratégia original falhou".

Além disso, eles precisam tentar controlar e melhorar o moral de todos os oficiais russos. "Com certeza eles esperavam que seria um passeio, e não foi", defende o especialista.

Tudo isso mostra que a capacidade dos russos de "camuflar" onde estão esses centros de comando não está boa, porque os ucranianos descobriram esses locais.

Ao descobrir onde está o centro de comando, você consegue eliminar a cabeça pensante. "Se você elimina isso, você consegue desarticular as forças armadas do oponente, porque aí cada uma vai agir separadamente e não de forma coordenada", explica o professor.

A Ucrânia está atacando essas unidades de inteligência de maneira deliberada, acredita Telles. E tem funcionado —em parte, por que existe um apoio grande das autoridades dos EUA nisso, diz reportagem do The New York Times, embora a Casa Branca negue.