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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Sem precedentes: por que tantos generais russos estão morrendo na Ucrânia?

Coronel Oleksandr Oksanchenko (Ucrânia), Vladimir Zhoga (que comandava grupo neonazista russo), Andrey Sukhovetsky (Exército da Rússia) e Nikolai Kravchenko (Batalhão Azov) entre os mortos na guerra - Arte UOL
Coronel Oleksandr Oksanchenko (Ucrânia), Vladimir Zhoga (que comandava grupo neonazista russo), Andrey Sukhovetsky (Exército da Rússia) e Nikolai Kravchenko (Batalhão Azov) entre os mortos na guerra Imagem: Arte UOL

Luan Martendal

Colaboração para o UOL

15/04/2022 04h00

Quase dois meses depois do início da invasão de tropas militares da Rússia na Ucrânia, chama a atenção do mundo o número crescente de generais russos mortos em combate. Desde o primeiro ataque, em 24 de fevereiro, até agora, pelo menos sete dos 20 generais russos que teriam sido designados para comandar as tropas russas foram mortos em ação —uma baixa sem precedentes na atualidade.

A contagem é de autoridades da Ucrânia, que têm reconhecimento de diferentes governos ocidentais, apesar de a Rússia não confirmar o número. É difícil saber o cenário real, mas os indícios colocam em xeque a preparação do Exército russo para a invasão.

A Ucrânia afirma já ter somado mais de 18,5 mil soldados russos mortos até o dia 5 de abril, incluindo os generais. O saldo está bem acima dos 1.300 militares que tiveram a morte reconhecida oficialmente pelo Kremlin no fim de março.

A Ucrânia também alega já ter destruído mais de 670 tanques e 1.858 veículos blindados de combate russos, além de dezenas ou centenas de foguetes, mísseis, jatos, helicópteros, navios e drones.

Um levantamento da BBC divulgado na semana passada mostrou que, além dos majores-generais, ainda existem ao menos 10 coronéis; 20 tenentes-coronéis; 31 majores e 155 oficiais subalternos (de tenente a capitão) entre os mortos.

Segundo analistas ouvidos por diferentes veículos da imprensa internacional, como os ingleses The Economist e The Guardian, o ucraniano The Kyiv Independent e a agência francesa France Presse (AFP), a escalada na perda de militares de alta patente pode ser resultado de uma tentativa de superar as cada vez mais evidentes dificuldades do Exército russo, que vem perdendo um número alto de soldados.

Os especialistas dizem que, até aqui, a guerra têm evidenciado falhas de planejamento e execução das operações militares da Rússia.

Nesta quinta-feira, 50º dia da guerra, a Ucrânia disse ter feito uma "emboscada de engenharia" que destruiu um grande comboio militar inimigo e o navio mais importante da Marinha russa, o destroier Moskva.

Quando abriu fogo contra o território da Ucrânia, a Rússia estimava alcançar seus objetivos em poucos dias, mas, à medida que a Ucrânia resiste às tentativas de tomada das suas principais cidades, o conflito se estende e coloca seus principais líderes militares expostos ao contra-ataque na linha de frente do combate.

Aumenta-se o risco, aumenta-se o número de mortos.

Geralmente, em situações de conflito, os generais de mais alta patente, privilegiados por seus cargos, costumam montar as estratégias de atuação de seus grupos e, enquanto suas tropas realizam as ações planejadas, tendem a permanecer seguros e fora da mira do inimigo. No entanto, a situação atual mostra um fator incomum que torna mais vulneráveis os generais russos.

Sukhovetsky  - Divulgação - Divulgação
Sukhovetsky
Imagem: Divulgação

Generais são alvo central

Especialistas ouvidos pelo jornal americano The Washington Post acreditam que visar e atacar generais é uma tática de guerra legítima que está sendo abertamente adotada por oficiais ucranianos.

Uma das hipóteses levantadas sugere que os militares russos tentaram manter suas comunicações seguras, mas unidades de inteligência da Ucrânia encontraram seus alvos.

Além disso, analistas apontam que a configuração do Exército russo é diferente da de outros países. A cadeia de comando e controle da Rússia se mostrou deficitária em qualidade de inteligência, logística e táticas adotadas, o que provavelmente obriga os generais a irem para a frente de batalha.

A primeira morte de um major-general russo na guerra (a única confirmada oficialmente pela Rússia) foi a do comandante da 7ª Divisão Aérea, Andrei Sukhovetsky, vítima de um sniper ucraniano no começo de março.

Além dele, a Ucrânia também afirmou que morreram os generais Vitaly Gerasimov; Andrey Kolesnikov; Oleg Mityaev, que teria sido morto após ter a comunicação grampeada; Sergei Sukharev; Andrei Mordvichev.

A última grande baixa de um general foi relatada em 25 de março, vitimando Yakov Rezantsev, morto na região de Kherson, ao sul da Ucrânia, cerca de um mês depois de ter afirmado que a guerra na Ucrânia terminaria de maneira rápida.

O general checheno, Magomed Tushayev, enviado à Ucrânia pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, também teria morrido em combate em fevereiro deste ano.