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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Arma secreta: lasers russos cegam satélites e queimam drones em 5 segundos

Novo laser é mais poderoso que o Peresvet, disse o governo russo - Reprodução / Ministério da Defesa da Rússia
Novo laser é mais poderoso que o Peresvet, disse o governo russo Imagem: Reprodução / Ministério da Defesa da Rússia

Gabriel Dias

Colaboração para o UOL

23/05/2022 04h00

A Rússia testou um novo laser capaz de queimar drones e outros equipamentos a uma distância de cinco quilômetros em apenas cinco segundos. Segundo o vice-primeiro-ministro Yuri Borisov, o veículo não-tripulado "foi simplesmente queimado e deixou de existir".

Ele ainda confirmou que o laser está sendo usado no confronto com a Ucrânia, sob o nome de "Zadira" —embora os EUA e a Ucrânia digam que não viram nenhuma evidência disso e tratam como propaganda.

Pouco se sabe sobre as especificidades das novas armas, que são consideradas secretas pelo governo russo, mas, segundo Borisov, o novo modelo é mais poderoso que o laser Peresvet, anunciado pelo presidente da Rússia, Vladimir Putin, em 2018.

"Se o Peresvet cega, então a nova geração de armas a laser leva à destruição física do alvo —destruição térmica, eles queimam", contou, em entrevista à televisão estatal russa.

Os lasers são armas consideradas eficientes e de baixo custo, quando comparadas às outras usadas na guerra. Eles funcionam enviando um feixe de luz infravermelha que aquece seu alvo até que entre em combustão.

Ao contrário das armas clássicas, que exigem munição, o laser de combate nunca fica sem "cartuchos" e seus feixes atingem o alvo com incrível precisão na velocidade da luz.

O Peresvet, já usado pelas tropas russas desde 2019, é capaz de retirar satélites de reconhecimento em órbitas de até 1.500 km e pode ser usado com sucesso contra drones, disse o especialista militar Igor Korotchenko, diretor do Centro de Análise do Comércio Mundial de Armas.

Isso é especialmente importante para ofuscar os sistemas de reconhecimento. Inutilizar satélites capazes de monitorar mísseis balísticos intercontinentais, que carregam armas nucleares, é uma medida estratégica.

A Rússia também poderia usar lasers no campo de batalha para cegar soldados ucranianos, conforme afirmou o general de brigada aposentado do exército australiano Mick Ryan ao jornal americano Washington Post, embora isso seja proibido de acordo com um protocolo de 1995 adicionado ao tratado da ONU que proíbe armas que causem ferimentos excessivos ou tenham impacto indiscriminado.

A eficácia do laser, no entanto, depende das condições ambientais: com bom tempo, funciona perfeitamente, mas nevoeiro, chuva, neve e outros eventos climáticos adversos podem interferir na passagem do feixe de laser.

Nova geração de armas

Borisov aproveitou o lançamento dos novos modelos para defender que as armas convencionais serão substituídas por armas a laser e eletromagnéticas nas próximas décadas.

A Rússia, disse ele, está investindo na criação de armamento baseado em novos princípios físicos.

Em 2017, a mídia russa afirmou que a Rosatom, agência nuclear estatal, encabeçava essa parte e trabalhava no laser Zadira.

No mês passado, Israel divulgou um vídeo mostrando um sistema de laser parecido, que derrubou foguetes e drones. O primeiro-ministro israelense, Naftali Bennett, disse que poderia derrubar drones, morteiros e foguetes por apenas US$ 3,50 por disparo.

"Pode parecer ficção científica, mas é real", afirmou.

Putin já revelou uma série de novidades nesse sentido: novo míssil balístico intercontinental, drones nucleares submarinos e uma arma supersônica.

Já a Ucrânia anunciou novas aeronaves não tripuladas adquiridas em março. Fabricados na Turquia pela Baykar Technology, os drones são capazes de destruir tanques de guerra.

O modelo Bayraktar TB2 utiliza bombas e mísseis ar-terra a laser, projetados para serem lançados por uma aeronave militar contra objetivos de superfície com ainda mais precisão. Ele foi desenvolvido a pedido do exército turco, após a experiência positiva com o Bayraktar TB1, e o primeiro voo ocorreu em 2014. (Com agências internacionais e BBC Brasil)