Conteúdo publicado há 2 meses

Lula pede a Maduro que evite 'medidas unilaterais' na disputa por Essequibo

O presidente Lula recebeu hoje a ligação do ditador venezuelano, Nicolás Maduro, e pediu diálogo sobre a questão de Essequibo, território pertencente à Guiana que ele quer anexar.

O que aconteceu

Lula disse na conversa que é importante "evitar medidas unilaterais que levem a uma escalada da situação", diz nota do governo brasileiro. Ele transmitiu preocupação dos países da América do Sul sobre a questão e reiterou que o Brasil está à disposição para apoiar e acompanhar iniciativas de diálogo, segundo o comunicado.

A nota não menciona o que teria dito Maduro na conversa que durou cerca de 30 minutos, segundo o governo brasileiro. O petista também citou a declaração do Mercosul pedindo formalmente uma solução pacífica para o conflito.

Já nas redes sociais, o venezuelano falou em manter "a paz e a compreensão", mas afirmou que a Guiana e a ExxonMobil terão que "sentar e conversar". A petrolífera dos Estados Unidos que extraí petróleo no país.

[Lula] Recordou a longa tradição de diálogo na América Latina e que somos uma região de paz. Fez um chamado ao diálogo e sugeriu que o presidente de turno da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), Ralph Gonsalves, trate do tema com as duas partes. Nota do governo brasileiro sobre telefonema de Lula e Maduro

Guiana e ExxonMobil terão que sentar para conversar conosco, o governo da República Bolivariana da Venezuela. De alma e coração, queremos paz e entendimento. Que o mundo escute, com o Acordo de Genebra, tudo!
Nicolás Maduro, em postagem no X

Território é rico em petróleo

O território de Essequibo é disputado pela Venezuela
O território de Essequibo é disputado pela Venezuela Imagem: UOL Arte

A população da Venezuela aprovou, no domingo (3), a anexação do território em um referendo. Convocada por Maduro, a consulta popular contrariou a decisão da Corte Internacional de Justiça, que já havia proibido a Venezuela de interferir na região.

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Para Maduro invadir a Guiana por terra, seu exército teria de atravessar o Brasil. As tropas venezuelanas marchariam pelo norte de Roraima, justamente na tríplice fronteira. Na terça-feira (5), porém, o Exército brasileiro reforçou a vigilância.

Os Estados Unidos têm interesse no conflito. Além de inimigos declarados de Maduro, os EUA são abastecidos com o petróleo de Essequibo, encontrado pela petroleira americana ExxonMobil, em 2015.

O presidente americano, Joe Biden, pediu que Brasil atue para desarmar tensão entre Venezuela e Guiana. Segundo o colunista do UOL Jamil Chade, para Washington, o Brasil seria um ator "adequado" para agir no sentido de evitar uma escalada militar. Nas conversas, os americanos consideram que o governo Lula estaria numa posição privilegiada para promover esse diálogo.

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