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Ibama: Óleo no NE é maior acidente ambiental em extensão registrado no país

Manchas de óleo em praia da Bahia - João Arthur - 4.out.19/Projeto Tamar
Manchas de óleo em praia da Bahia
Imagem: João Arthur - 4.out.19/Projeto Tamar

Carlos Madeiro,

Colaboração para o UOL, em Maceió

08/10/2019 23h41Atualizada em 08/10/2019 23h41

Resumo da notícia

  • Manchas de óleo atingem 2.100 km do Maranhão à Bahia
  • Sobem para 138 as praias afetadas em 62 cidades do litoral nordestino
  • Análise aponta que vazamento ocorreu entre PE e PB, a cerca de 50 km da costa
  • Correntes marítimas naturais teriam ajudado a dispersar a petróleo na água

A extensão da costa nordestina atingida pelas manchas de petróleo desde o dia 2 de setembro chegou a 2.100 quilômetros dos nove estados da região. O acidente ambiental já é considerado o maior da história litoral brasileiro em termos de extensão.

"Esse vazamento atingiu a maior extensão, com certeza. É uma situação que nunca ocorreu na história do país, e desconhecemos se algo similar no mundo", afirma Marcelo Amorim, coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis) e que atua como líder da força-tarefa federal —comandante do incidente, como é chamado.

Segundo boletim divulgado nesta noite, o ponto mais ao norte registrado fica em Alcântara (MA) e o mais ao sul, em Esplanada (BA). As manchas já apareceram em 138 praias de 62 cidades —não há qualquer relato histórico de qualquer vazamento ter atingido uma área tão grande.

Uma análise com base nas correntes marinhas, feita pelo Laboratório de Oceanografia da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), aponta que o vazamento ocorreu entre os litorais de Pernambuco e Paraíba, a uma distãncia entre 40 e 50 km da costa.

Amorim lembra que o Brasil já registrou em sua história vazamentos de óleo marcantes, como o da Chevron, em 2011, quando a mancha chegou ao máximo de 68 km de extensão. Questionado se o aparecimento de manchas estaria chegando a fim, ele diz que "essa é a pergunta que tem nos surpreendido".

"A gente percebe um ciclo, que o óleo começa a vir em pouco volume, como se fosse algo pontual, e você imagina que não vai passar daquilo. Aí no terceiro dia vem um volume maior, que assusta, com 100, 200 metros de mancha. É um perfil que tem se repetido. Aí passam dois dias e para de chegar", afirma.

Um exemplo ocorreu em Sergipe, estado mais afetado e onde Amorim está coordenando as ações. No dia 24, lembra, um ciclo de manchas que apareceram havia cessado. "Ali achávamos que ia parar, mas dias depois chegou uma grande quantidade", diz.

Desde domingo [6] não tem chegado mais manchas, mas elas apareceram agora o norte da Bahia. Ou seja, elas estão descendo. Não dá para dizer que está terminando

Marcelo Amorim, coordenador-geral de Emergências Ambientais do Ibama

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Mas como explicar uma extensão tão grande de área atingida? Para Amorim, ainda não há certeza sobre como isso ocorreu, mas existem hipóteses.

"Uma delas é que um petroleiro que tenha lavado o seu tanque de petróleo. Existe um tanque que absorve essa água com borra --que não deixa de ser petróleo cru. Por algum motivo, em vez de parar no porto e dispensar, ele sai navegando e liberando numa passagem que tenha feito ao largo do Brasil, na altura de Alagoas e Pernambuco", diz, citando que correntes marítimas naturais teriam ajudado a dispersar a mancha para quase todo o litoral do Nordeste.

Nesse caso há uma peculiaridade: não se sabe quem produziu o material nem quem o vazou. "Não sabemos quem poluiu, nem como foi o vazamento. São os entes federativos que têm tomado a frente, com o Ibama organizando", diz.

O acidente ambiental no Nordeste hoje está sendo investigado por várias instituições, como universidades, mas oficialmente a apuração está a cargo da Marinha e da PF (Polícia Federal). "Hoje você tem várias hipóteses, e nenhuma delas pode ser descartada", afirma.

A investigação da Marinha agora é para descobrir o navio que fez o derramamento de tamanha quantidade de petróleo. Segundo a corporação, a área atingida pelo óleo é "inédita."

Ao todo, 1.583 militares, cinco navios, uma aeronave, e diversas pequenas embarcações e viaturas estão participando da operação.

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A análise de todo o material coletado está sendo feita pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

"Para a elucidação dessa ocorrência inédita, que atinge grande parte de nosso litoral, a Diretoria de Portos e Costas conduz um Inquérito Administrativo sobre Acidentes e Fatos da Navegação. Nesse processo, são analisados os dados do tráfego marítimo na área, as informações de patrulha de navios e aeronaves da MB, simulações computacionais sobre as influências de corrente no Atlântico Sul e análise dos perfis químicos dos resíduos coletados", informou a Marinha.

A PF no Rio Grande do Norte também está investigando o caso, mas não divulgou informações sobre as apurações até o momento.

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