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Bolsonaro diz que pressão sobre mudança climática é "jogo comercial"

Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto - ADRIANO MACHADO
Presidente Jair Bolsonaro durante cerimônia no Palácio do Planalto Imagem: ADRIANO MACHADO

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

15/12/2019 13h21

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que a pressão internacional por medidas para conter o aquecimento global seria um "jogo comercial". O presidente fez a afirmação ao comentar o resultado da Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP-25, realizada em Madri.

"O que acontece: por que eu não aceitei COP-25 no Brasil. Eu não aceitei, eu que decidi. Estariam fazendo aqui um Carnaval no Brasil agora", disse o presidente.

"Eu quero saber, alguma resolução para a Europa começar a ser reflorestada? Alguma decisão? Ou só ficam perturbando o Brasil? É um jogo comercial, eu não sei como o pessoal não consegue entender que é um jogo comercial", disse Bolsonaro.

O presidente conversou com jornalistas na saída do Palácio da Alvorada, residência oficial em Brasília. O presidente foi perguntado sobre a afirmação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que afirmou que a conferência climática "não deu em nada".

Era esperado que o Brasil sediasse a edição desse ano da conferência climática, mas o governo retirou sua candidatura ainda em novembro de 2018, após um pedido de Bolsonaro, que já estava eleito mas não havia ainda tomado posse.

Encerrada hoje, a COP-25 alcançou um acordo mínimo, longe de responder firmemente à urgência climática, conforme reivindicado pela ciência e pela sociedade civil.

Após duas semanas de negociações, a COP-25 emitiu um pedido aos países que aumentem suas metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa no próximo ano, o que é essencial para tentar conter o aquecimento a menos de +2°C, mas não enviou nenhum sinal forte de que intensificará e acelerará a ação climática.

As negociações terminaram sem acordo sobre um dos principais pontos em debate: a regulação global do mercado de créditos de carbono. As delegações concordaram em melhorar as metas de redução de emissões de gases do efeito estufa e em ajudar países vulneráveis às mudanças climáticas, mas adiaram a discussão sobre o mercado de créditos de carbono para a COP26, que acontecerá em Glasgow, Escócia, em novembro de 2020.

O ministro Ricardo Salles criticou o impasse sobre o mercado de créditos de carbono. "COP-25 não deu em nada. Países ricos não querem abrir seus mercados de créditos de carbono. Exigem medidas e apontam o dedo para o resto do mundo, sem cerimônia, mas na hora de colocar a mão no bolso, eles não querem. Protecionismo e hipocrisia andaram de mãos dadas, o tempo todo", escreveu o ministro no Twitter.

Meio Ambiente