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Especialista: novas manchas no CE mostram que ainda há muito óleo no mar

Aliny Gama

Colaboração para o UOL, em Maceió

30/12/2019 19h39

Manchas de petróleo cru voltaram a sujar praias do Ceará. Desde ontem, pedaços de óleo estão sendo despejados após ressaca nas praias de Caetanos de Cima, no município de Amontada (CE), e de Apiques, em Itapipoca (CE), na região oeste do estado. Essas características evidenciam, segundo especialistas, que há muito material derivando ainda no oceano Atlântico e outras praias poderão voltar a ficar oleadas.

Ainda não se sabe a extensão atingida pelo óleo nas praias do Ceará. Até agora, foram recolhidos 300 quilos de resíduos nas duas praias.

O professor doutor Rivelino Cavalcante, do Labomar (Instituto de Ciências do Mar) da Universidade Federal do Ceará, diz que o reaparecimento de novas manchas evidencia que o material depositado no oceano está em grande quantidade e que "o tempo e a dinâmica do mar só estão conseguindo reduzir a esses tamanhos."

"Passado todo esse tempo, se ainda está aparecendo material com esse tamanho, é porque, provavelmente, tem muito material derivando ainda no oceano. Provavelmente ainda há muito material e o oceano só está conseguindo quebrá-lo aos poucos", comentou Cavalcante.

De acordo com o professor, a plataforma do Brasil, por ser carbonácea, tende a precipitar o material, que fica no fundo por conta do carbonato. Depois, com o evento extremo de ressaca, ele retorna a aparecer.

Ressaca

Cavalcante explica que o ressurgimento do material ocorreu devido ao fenômeno de Swell, mais conhecido como ressaca do mar, que teria movimentado o assoalho oceânico, onde o material está depositado e o óleo voltou a chegar às praias. O especialista afirma que o novo aparecimento das manchas leva a entender que "pode aparecer em novos lugares".

"Como esse material já está há muito tempo no oceano já era para estar mais decomposto, já era para estar num nível micro ou até molecular, que não veria tão facilmente a olho nu. Porém evidencia que há muito material", explica Cavalcante

O GGA (Grupo de Acompanhamento e Avaliação), formado pela Marinha do Brasil, Agência Nacional de Petróleo e Ibama informaram que militares da Marinha, membros do Ibama, da Defesa Civil e voluntários, sob coordenação do GAA estão fazendo a limpeza das praias manchadas pelo óleo. "Mais militares estão sendo mobilizados para limpeza das áreas não habitadas das praias", disse o GGA.

Amostras do material foram recolhidas pela Marinha do Brasil e estão sendo enviadas para análise no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, no Rio de Janeiro, para saber se é o mesmo óleo que vem poluindo praias do Nordeste, do Espirito Santo e do Rio de Janeiro.

As primeiras manchas de óleo surgiram no início de setembro. O material atingiu a APA (Área de Proteção Ambiental) Costa dos Corais, considerada a maior unidade de conservação federal marinha costeira do Brasil. O local fica entre os estados de Pernambuco e Alagoas.

A origem do óleo ainda é duvidosa. Entretanto, o governo brasileiro afirma que a substância tem características de petróleo extraído na Venezuela e suspeita-se foi derramada pelo navio petroleiro Boubolina, de bandeira grega. Apesar das investigações da Polícia Federal, ainda não está claro se o despejo ocorreu do Boubolina e se foi acidente ou derramamento proposital criminoso. Os proprietários do navio, a empresa grega Delta Tankers, negam.

Recentemente, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) afirmou que derramamento de petróleo nas praias do nordeste ocorreu há milhares de quilômetros da costa brasileira. O estudo indica que o material veio da região sul do mar da África, no mês de abril, até chegar ao litoral nordestino, no início de setembro.

O derramamento de óleo é considerado o maior acidente ambiental em extensão do país, que atinge praias do Maranhão ao Rio de Janeiro. De acordo com relatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), até o último dia 27, onze estados brasileiros —sendo nove do nordeste—, 129 municípios e 980 praias foram afetados com a presença do material.

Óleo continua chegando a praias do Nordeste

UOL Notícias

Meio Ambiente