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2 meses

Salles é alvo de operação da PF; presidente do Ibama é afastado

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

19/05/2021 07h59Atualizada em 19/05/2021 13h02

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, é alvo de uma operação da PF (Polícia Federal) na manhã de hoje. A ação apura crimes contra a administração pública praticados por agentes públicos e empresários do ramo madeireiro.

A operação, batizada de Akuanduba, foi autorizada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Ele determinou mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais de Salles em São Paulo, no endereço funcional em Brasília e no gabinete que ele montou no Pará.

Moraes também determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Salles e de servidores do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

O presidente do Ibama, Eduardo Bim, foi afastado do cargo por determinação de Moraes. Além dele, outros nove agentes públicos também foram afastados de "cargos e funções de confiança no Ibama e no Ministério do Meio Ambiente".

No total, a PF cumpre 35 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e nos estados de São Paulo e do Pará. Em nota, a PGR (Procuradoria Geral da República) disse ter visto uma possível violação na operação que tem Salles como alvo.

Em entrevista, Salles afirmou que a operação "desnecessária", negou as acusações e disse que a pasta e o Ibama agem "de acordo com a lei". "A PF foi ao Ministério do Meio Ambiente. Eu fui lá, encontrei o delegado e soube que também estiveram em outros locais. Essas medidas são desnecessárias, na medida que o Ministério e todos os funcionários poderiam ter ido, se chamados, para a PF", disse Salles.

O ministro do STF ainda ordenou a suspensão de um despacho do Ibama, que, na prática, libera a exportação de madeira nativa sem fiscalização.

A PF diz que "as investigações foram iniciadas em janeiro deste ano a partir de informações obtidas junto a autoridades estrangeiras noticiando possível desvio de conduta de servidores públicos brasileiros no processo de exportação de madeira".

O nome da operação, Akuanduba, é referência a uma divindade da mitologia dos índios Araras, que habitam o estado do Pará, de acordo com a PF.

"Segundo a lenda, se alguém cometesse algum excesso, contrariando as normas, a divindade fazia soar uma pequena flauta, restabelecendo a ordem", explica a instituição.

Veja quem são os servidores afastados pela operação:

  • Walter Mendes Magalhães Júnior, coordenador-geral de fiscalização (Ibama)
  • João Pessoa Riograndense Moreira Júnior, diretor de Uso Sustentável da Biodiversidade e Florestas (Ibama)
  • Rafael Freire de Macedo, coordenador-geral de Monitoramento do Uso da Biodiversidade e Comércio Exterior (Ibama)
  • Eduardo Fortunato Bim, presidente do Ibama
  • Olímpio Ferreira Magalhães, diretor de Proteção Ambiental (Ibama)
  • Leslie Nelson Jardim Tavares, Coordenador de Operações de Fiscalização (Ibama)
  • André Heleno Azevedo Silveira, coordenador de Inteligência de Fiscalização (Ibama)
  • Artur Vallinoto Bastos, Analista Ambiental (Ibama)
  • Leopoldo Penteado Butkiewicz, Assessor Especial do gabinete do Ministro do Meio Ambiente
  • Wagner Tadeu Matiota, superintendente de Apuração de Infrações Ambientais (Ibama)
  • Olivandi Alves Azevedo Borges, Secretário Adjunto da Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (alvo da operação, mas que não teve o afastamento solicitado por Moraes)

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