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Três são presos e 131 balsas destruídas em ação contra garimpo ilegal no AM

Do UOL, em São Paulo

29/11/2021 10h51Atualizada em 29/11/2021 12h54

Três pessoas foram presas e 131 balsas apreendidas e destruídas durante operação contra o garimpo ilegal no rio Madeira, no Amazonas, no fim de semana. A operação foi realizada pela PF (Polícia Federal), Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) e Forças Armadas.

Não houve nenhum registro de violência, uso de força ou disparo de arma de fogo, segundo o superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Leandro Almada.

Entre sábado e ontem, três pessoas foram conduzidas à delegacia da PF no Amazonas por terem sido encontradas com certa quantidade de ouro.

A operação foi batizada de Uiara, palavra que tem origem na língua tupi e significa "mãe da água".

Um vídeo que mostra a destruição das balsas foi publicado nas redes sociais pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Anderson Torres.

"Tínhamos que dar uma resposta forte e a gente conseguiu. Esse é o resultado em 48 horas de operação", disse Almada.

Centenas de balsas de garimpo ilegal se aglomeraram há alguns dias no rio Madeira, numa região onde teria sido encontrada uma grande quantidade de ouro por embarcações clandestinas. A denúncia foi feita inicialmente por ONGs (Organizações não Governamentais), como o Greenpeace. Governo federal, forças policiais e demais autoridades então reagiram prometendo ação para o combate ao garimpo no local.

Após a denúncia, áudios vazados revelaram conversas em que os garimpeiros citavam a possibilidade de montar um "paredão" gigantesco de balsas para reter a ação policial. Nas mensagens, eles também planejavam tocaias na floresta e em "mandar bala" nos agentes.

Os garimpeiros começaram a se dispersar na sexta-feira (26) na região de Autazes (AM).

Destruição de equipamentos

O que se pretende com a destruição dos equipamentos, que é frequentemente criticado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), é inviabilizar o maquinário utilizado para a prática do crime ambiental.

A ação tem previsão legal e é regulamentada. O prejuízo financeiro causado aos donos dos equipamentos acaba retardando os planos dos empresários do garimpo de retomarem as operações. Apesar da estrutura precária das balsas que diariamente é enfrentada pelos garimpeiros que operam os equipamentos - muitas vezes acompanhados de suas famílias -, geralmente eles não são os donos do equipamento. Trata-se, na maioria dos casos, de pessoal que presta serviços para terceiros que financiam a operação.

As balsas em si são baratas, por se tratar de estruturas feitas, basicamente, de madeira. O maquinário colocado sobre elas, porém, é equipamento pesado, com preço que pode oscilar de R$ 50 mil a R$ 1 milhão. Em alguns casos, estruturas mais bem equipadas chegam a ultrapassar esse valor, segundo os agentes policiais.

A queima é feita com o próprio combustível encontrado nas estruturas, que normalmente carregam grandes tanques de plástico com centenas de litros de gasolina. Em cerca de cinco minutos, o fogo se alastra e coloca tudo abaixo. Com o calor extremo, os equipamentos de ferro costumam dilatar, comprometendo uma nova utilização. Com o afundamento no leito do rio, torna-se item irrecuperável.

O recolhimento desse material também não costuma ser feito pelos agentes, dadas as difíceis situações logísticas nas quais são encontrados. O transporte do equipamento, além de ser complexo, também pode colocar os próprios agentes em novas situações de risco.

Hoje, agentes da PF devem recolher amostras de cabelo de moradores da região de Autazes. O objetivo é verificar, a partir de testes, se há alguma quantidade de mercúrio presente no organismo da população. O produto químico utilizado no processo de separação do ouro de demais substância é extremamente prejudicial à saúde e ao meio ambiente. "Vamos fazer esse levantamento e buscar a prova material da contaminação", disse Almada.

* Com Estadão Conteúdo

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