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Piloto de Beira-Mar tem licença para garimpar na Amazônia, diz jornal

Imagem meramente ilustrativa; PLG foi criado na Constituição para regularizar o trabalho de pequenos garimpeiros artesanais - Getty Images
Imagem meramente ilustrativa; PLG foi criado na Constituição para regularizar o trabalho de pequenos garimpeiros artesanais Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

27/11/2021 11h30

Apontados pela PF (Polícia Federal) como chefes de organizações criminosas, dois suspeitos de envolvimento com tráfico de drogas ganharam o direito de explorar uma área equivalente a cerca de 800 campos de futebol de garimpos de ouro na Amazônia. Um deles é Silvio Berri Júnior, conhecido por ser o principal piloto de avião de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, que transportaria cocaína da Colômbia ao Brasil. As informações são do jornal O Globo.

Conforme a reportagem, Berri Júnior, alvo da Operação Enterprise, deflagrada em novembro de 2020, consta como detentor de uma PLG (permissão de lavras garimpeiras) de 48 hectares. Ele voltou ao radar das autoridades no ano passado por supostamente operar um esquema de tráfico chefiado por um ex-major da PM (Polícia Militar de São Paulo).

Herveton Soares, o "compadre Gota", também aparece nos registros do governo federal como detentor de 18 PLGs, que abrangem um terreno de 762 hectares, segundo O Globo. Ele foi um dos alvos da Operação Narcos Gold, deflagrada no início do mês.

De acordo com a reportagem, ele é suspeito de ser um dos principais representantes do que a PF chama de "narcogarimpo" e responde a processos na Justiça do Maranhão, Rondônia e São Paulo por tráfico de drogas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e homicídio, além de suspeito de ter ligações com duas facções criminosas do Sudeste.

As defesas de Grota e Júnior não foi localizadas pelo jornal para comentar as acusações. O UOL também busca localizar os advogados.

As "permissões" para ambos foram outorgadas e efetivadas pela ANM (Agência Nacional de Mineração) entre o ano passado e este ano em Itaituba (PA), município conhecido como "Cidade Pepita" pela quantidade de jazidas de ouro encontradas.

Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a ANM informou, em nota ao jornal, que não é sua competência "pesquisar a vida pregressa, judicial ou afins" de pessoas que requerem o direito de exploração. O órgão disse ainda que isso é prerrogativa de "órgãos específicos judiciais e de polícia".

A PLG foi criado na Constituição de 1988 para regularizar o trabalho de pequenos garimpeiros artesanais. No entanto, segundo o jornal, a PF atribuiu a Grota a propriedade de fazendas, haras, pistas de pouso, empresas de maquinário de extração mineral, peças de carro e de garimpos de ouro cuja estrutura, conforme os investigadores, movimentava mais de R$ 30 milhões e ocultava o tráfico de drogas.

Quando cumpriu os mandados de busca e apreensão deferidos pela Justiça, a PF encontrou nos endereços dele duas aeronaves e joias. Ele ainda se encontra foragido.

Agentes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da ANM ouvidos pela reportagem de O Globo sob reserva afirmaram que muitas PLGs são usadas para dar "origem legal" ao ouro retirado de áreas protegidas na floresta amazônica.

Como a outorga não exige pesquisa mineral —quanto de minério será extraído de uma certa área— os criminosos podem atribuir o quanto quiserem de ouro ao local. Para os agentes, trata-se de uma brecha que facilita lavagem de dinheiro de esquemas ilícitos, como tráfico e contrabando.

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