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MapBiomas: 97% dos alertas de desmatamento desde 2019 continuam sem ação

O levantamento do projeto MapBiomas revelou baixos número de alertas fiscalizados - Fernando Martinho/Repórter Brasil
O levantamento do projeto MapBiomas revelou baixos número de alertas fiscalizados Imagem: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Pedro Paulo Furlan

Do UOL, em São Paulo

03/05/2022 18h35

O projeto MapBiomas, rede colaborativa de ONGs, universidades e startups, identificou que os órgãos do governo não fiscalizaram 194.964 dos 199.520 alertas de desmatamento no Brasil recebidos por eles desde 2019, aproximadamente 97% dos casos.

Os dados, parte do levantamento e nova plataforma "Monitor de Fiscalização do Desmatamento", foram revelados hoje.

As ações de fiscalização do governo ocorreram somente em 13,1% da área total desmatada em todo o Brasil no período — cerca de 536 mil km². Os alertas não fiscalizados apontados pela MapBiomas, contudo, representam 3 milhões de km².

Na Amazônia, por exemplo, menos de mil alertas de desmatamento foram fiscalizados, desde 2019. Enquanto isso, o bioma conta com 60.857 alertas, apenas dentro do estado do Pará. Em setembro de 2021, somente, 3.357 alertas foram recebidos pelo MapBiomas Alerta.

O levantamento completo está disponível dentro da nova plataforma do projeto MapBiomas.

Embargos, autorizações e autos de infração

O projeto também analisou quantos desses alertas cruzam com áreas em que há autorizações de desmatamentos. 99% dos alertas têm indícios de ilegalidade, ou seja, não estão em áreas autorizadas.

Além disso, o número de alertas que cruzam com autos de infração - documentos lavrados pelo Ibama, com caráter de punição - também foi considerado. 94% da área dos alertas, 3 milhões de km², não sobrepõe ou incide nos autos desde 2019.

Por fim, o levantamento engloba os alertas que recebem embargos por desmatamento. Pelos dados revelados, somente 2.346 do total de alertas desde janeiro de 2019 foram sobrepostos por embargos.

O UOL entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente em busca de posicionamento, atualizaremos a matéria em caso de manifestação.

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