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Estafe do Banco Mundial insiste em suspender Weintraub: "Risco à reputação"

Kennedy Alencar

Kennedy Alencar

Kennedy Alencar é correspondente e comentarista da rádio CBN em Washington. Começou sua carreira em 1990 na Folha de S.Paulo, onde foi redator, repórter, editor da coluna "Painel' e enviado especial às guerras do Kosovo e Afeganistão. É autor do livro "Kosovo, a Guerra dos Covardes" (editora DBA). Na RedeTV!, apresentou durante cinco anos o programa de entrevistas "É Notícia' e mediou os debates presidenciais de 2010 e municipais de 2012. Estreou como comentarista da rádio CBN em 2011. Criou o "Blog do Kennedy" em 2013. Trabalhou no SBT entre 2014 e 2017. É produtor-executivo e roteirista do documentário "What Happened to Brazil", realizado para a BBC World News. Com uma versão em português intitulada "Brasil em Transe", o documentário retrata a crise que começa nas manifestações de junho de 2013, passa pelo impacto da Lava Jato e do impeachment de Dilma na política e na economia e resulta na eleição de Bolsonaro.

Colunista do UOL

25/06/2020 20h02

A associação de funcionários do Banco Mundial, um dia depois de acionar o comitê de ética da entidade, mandou carta à direção da instituição dizendo que a indicação de Weintraub aponta falha de governança e traz risco à reputação do órgão.

O documento é uma reação à resposta do comitê de ética de que barrar a indicação estaria fora da sua alçada

Segundo a carta, os membros do conselho, como oficiais do Banco Mundial, devem agir em conformidade com os valores da instituição. "Deveria ser bastante razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma palavra a dizer quando o candidato nos expõe a um risco de reputação considerável e compromete nossa capacidade de cumprir nossa missão."

O texto ainda diz que, quando Weintraub aparecer para o trabalho, "receberá uma palestra severa". "Este é um dia em que os funcionários podem optar por comemorar de uma maneira diferente. Fique ligado."

Leia íntegra da nova carta:

O caso Weintraub: a resposta da diretoria

25 de junho de 2020

A Carta Aberta de ontem ao Comitê de Ética do Conselho pediu que eles adiassem a nomeação do diretor-executivo do Brasil, Sr. Abraham Weintraub, enquanto aguardavam uma revisão das alegações (e investigação da Suprema Corte) de racismo contra ele.

O comitê respondeu prontamente à nossa carta ontem à noite. O texto completo está aqui:

O comitê compartilha o compromisso corporativo de eliminar o racismo e defender nossos valores essenciais; o comportamento racista dos membros do conselho não será tolerado;

Nem a administração nem o conselho exercem influência sobre a seleção dos diretores executivos. No caso da EDS15, que representa oito países, o Brasil tem a participação majoritária e pode indicar seu candidato nas próximas eleições.

No momento em que um novo DE assume a posição (ou seja, não antes), ele ou ela está sujeito ao Código de Conduta da Diretoria.
Observamos que o parágrafo 13.b do Código de Conduta para Funcionários da Diretoria afirma que o Comitê de Ética do Conselho fará recomendações à diretoria sobre conduta imprópria "relacionada ao desempenho de deveres oficiais ou ações que afetem o desempenho de seus deveres oficiais, sejam essas ações tomadas antes, durante ou com respeito a quaisquer restrições aplicáveis" {ênfase nossa} A Associação dos Funcionários solicita, portanto, ao conselho que reconsidere sua abordagem e use o poder que possui de acordo com o Código de Conduta para recomendar uma revisão da conduta do Sr. Weintraub.

Também observamos que o caso Weintraub expôs uma falha fundamental na governança do Banco Mundial. Por um lado, nossos membros do conselho representam e são responsáveis perante seus países constituintes e, portanto, devem ser devidamente eleitos por esses países (no caso da EDS15, a eleição é essencialmente uma vitrine, considerando as ações com direito a voto).

Por outro lado, os membros do conselho tornam-se oficiais do Banco Mundial e deve-se agir em conformidade. Portanto, é razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma opinião sobre as qualificações básicas necessárias para assumir essas posições. Deveria ser bastante razoável esperar que o Banco Mundial tenha uma palavra a dizer quando o candidato nos expõe a um risco reputacional considerável e compromete nossa capacidade de cumprir nossa missão.

Portanto, a menos que o conselho ou a gerência sênior decida ser proativo e se manifestar, ficamos simplesmente com a garantia de que, quando o Sr. Weintraub aparecer para trabalhar no primeiro dia, ele receberá uma palestra severa. Este é um dia em que os funcionários podem optar por comemorar de uma maneira diferente. Fique ligado.

Assembleia Delegada,

Associação dos Funcionários do Banco Mundial