Cobrado para "vencer a eleição", Alckmin cita aliança com oito partidos

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Edilson Dantas / Agência O Globo

    Geraldo Alckmin (PSDB) encontra com lideranças médicas na Faculdade de Medicina da USP

    Geraldo Alckmin (PSDB) encontra com lideranças médicas na Faculdade de Medicina da USP

O pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, foi cobrado por uma plateia composta por médicos para adotar um tom mais didático perante o eleitorado, caso queira se eleger na disputa de outubro. Em resposta, o tucano prometeu nesta sexta-feira (15) que há conversas "com sete ou oito partidos" para uma eventual coligação --ainda que, publicamente, ele só tenha confirmado, até agora, além do PSDB, PSD, PV, PTB e PPS.

A cobrança foi feita em evento na Congregação da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), na zona oeste da capital paulista. Alckmin, que tem formação médica --ele é anestesista--, falou por mais de duas horas a cerca de 40 pessoas. Mais da metade do tempo foi usada para perguntas que intercalaram elogios e dicas ao tucano --ex-governador após quase oito anos seguidos de mandato.

Na fase de perguntas da plateia, o urologista Miguel Srougi se referiu a  Alckmin como "um dos melhores políticos do país", mas definiu: "O problema é que o senhor precisa ganhar a eleição".

Para o médico, "não adianta" o pré-candidato citar aspectos como um superávit bilionário em São Paulo, como costuma fazer em suas explanações sobre as pretensões eleitorais, se não adotar uma linguagem mais direta e próxima da usada pelo "trabalhador que vai de posto em posto" em busca de atendimento médico à família.

Alckmin, que enfrenta dificuldades para alavancar nas pesquisas eleitorais --no último Datafolha, apareceu com 7%, tecnicamente empatado com Ciro Gomes (PDT) e atrás de Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede)--, minimizou o aparente desconforto com a pergunta.

"Muita gente está dizendo que é candidato, que não é candidato, mas vamos saber em agosto quem é quem não é", disse. E completou: "Estamos caminhando com cinco partidos, e acho que pode chegar a sete ou oito partidos", definiu.

Em entrevista à imprensa, o tucano não quis citar quais as siglas, disse estar "animadíssimo" e voltou a acenar para o DEM --cujo pré-candidato à Presidência, Rodrigo Maia, tem sinalizado possibilidade de aliança com o PSDB ou com Ciro.

Em São Paulo, o DEM anunciou ontem apoio formal à pré-candidatura do ex-prefeito João Dória ao governo. Na ocasião, no entanto, lideranças estaduais da sigla admitiram que o desempenho de Alckmin em São Paulo precisa melhorar para que a decisão de apoio posso ser tomada.

"Vários fatores criam laço de identidade --na Bahia, estamos apoiando o DEM, assim como Amapá. Mas vamos esperar a decisão do Rodrigo Maia, que tem legitimidade e liderança", disse.

Na agenda com as lideranças médicas, o ex-governador também prometeu se aproveitar da legitimidade de uma eventual eleição em segundo turno, na qual estimou serem necessários entre 50 milhões e 60 milhões de votos, para propor, já nos primeiros seis meses de mandato, uma reforma política.

"A legitimidade disso [ser eleito em segundo turno] vai ser muito grande", mencionou, citando o voto distrital misto e mudanças sobre a cláusula de barreira.

"Gosto do jeitão" do Datena, diz Alckmin

O tucano também elogiou o apresentador de TV José Luiz da Datena, que se filiou recentemente ao DEM. Ontem, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo", Datena admitiu que pode disputar a eleição este ano, mas não precisou para qual cargo.

Ele é cotado, por exemplo, para concorrer a uma das duas cadeiras do estado no Senado Federal.

"Gosto do Datena, ele tem espírito público. Gosto do jeitão dele. É ele definir ao quê que ele será candidato; eu estimulo --a pior política é a omissão", afirmou. Indagando se isso representaria a possibilidade de vice na chapa dele, o ex-governador recuou: "Não, não, não é isso que estou dizendo", encerrou.

Ontem, no anúncio de apoio a Dória, o presidente estadual do DEM, deputado Jorge Tadeu, afirmou que vai esperar uma resposta do apresentador até o final deste mês, uma vez que, caso entre na disputa, terá de deixar a TV. "Depende só dele. Temos pesquisas que o colocam em primeiro lugar para o Senado", disse Tadeu.

Veja a íntegra da sabatina de Geraldo Alckmin

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