PT quer Lula em debates por videoconferência se necessário, diz advogado

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo

    26.mar.2018 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

    26.mar.2018 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva

O ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão, advogado do PT, disse nesta segunda-feira (16) em São Paulo que o partido vai continuar pedindo na Justiça que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) possa conceder entrevistas, gravar vídeos de dentro da prisão e até mesmo participar de debates por videoconferência.

Segundo Aragão, o objetivo é garantir que Lula possa fazer pré-campanha como os outros candidatos, já que ainda não houve julgamento sobre a legalidade da candidatura do ex-presidente.

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O advogado disse que o PT vai recorrer da decisão da juíza federal Carolina Lebbos, responsável pela execução da pena de Lula, que na semana passada impediu o petista de dar entrevistas, participar de debates e gravar vídeos.

"O que a gente pediu não foi nada de mais. A gente pediu que jornalistas tivessem acesso para poder entrevistá-lo, e que ele pudesse participar eventualmente de debates até por videoconferência", declarou Aragão ao UOL durante evento da OAB-SP sobre as questões de direito eleitoral que envolvem a candidatura de Lula.

Segundo o advogado, "ninguém falou de fazer estúdio no lugar onde ele está detido, mas sim facilitar as coisas, de forma que ele possa ter uma participação que não gere grandes incômodos logísticos nem para a Polícia Federal, e também não para o partido, para ele."

Garantir o direito de Lula fazer pré-campanha inclui, de acordo com o advogado do PT, ter gravações atualizadas do ex-presidente que estejam de acordo com os fatos da campanha eleitoral.

"A gente quer que ele tenha condições de disputar mesmo. Disputar significa interagir também com os outros candidatos", afirmou.

Racha na defesa

Aragão disse não ter sido consultado sobre o habeas corpus apresentado por três deputados federais do PT para tirar Lula da prisão no dia 6, que originou uma série de decisões contraditórias da Justiça --a prisão acabou prevalecendo.

"Não tinha por que ser consultado, a questão dizia respeito à liberdade dele", disse. "Mas não temos nada contra que isso tenha sido levado dessa forma."

Aragão não se estendeu, quando questionado, sobre as recentes notícias de rusgas entre Cristiano Zanin Martins, de um lado, e o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, de outro, que defendem Lula na esfera criminal. Pertence chegou a enviar a Lula uma carta expressando seu "descontentamento" com atos da defesa.

"São pessoas que têm feito um trabalho extraordinário. A gente torce para que isso seja resolvido da melhor forma possível."

Lula está preso há mais de três meses em Curitiba, cumprindo pena por sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no chamado caso do tríplex, da Operação Lava Jato. A condenação pode deixá-lo inelegível de acordo com a Lei da Ficha Limpa. A legalidade da candidatura de Lula vai depender de uma análise da Justiça Eleitoral.

Mesmo preso e potencialmente inelegível, Lula lidera os cenários das pesquisas de intenção de voto em que seu nome é incluído. O PT garante que vai inscrevê-lo como candidato e refuta, ao menos publicamente, a ideia de um "plano B".

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