Por votos anti-PT, Ciro Gomes prioriza Sudeste e aumenta presença na TV

Luiz Alberto Gomes e Leonardo Martins

Do UOL, em São Paulo

  • Fábio Vieira/Fotorua/Estadão Conteúdo

    Ciro em campanha no parque do Ibirapuera, em SP, no dia 16 de setembro

    Ciro em campanha no parque do Ibirapuera, em SP, no dia 16 de setembro

O presidenciável Ciro Gomes (PDT) focou sua agenda em São Paulo e no Rio de Janeiro no primeiro mês oficial de campanha e está agora começando a aparecer nas propagandas de TV e rádio de candidatos do partido aos governos. A estratégia é impulsionar o nome do ex-governador para conquistar votos de eleitores da centro-esquerda e até antipetistas e permanecer colado em Fernando Haddad (PT) nas pesquisas eleitorais

No último Datafolha, divulgado na sexta-feira (14), o pedetista e o petista têm 13% das intenções de voto. No Sudeste, Ciro está tecnicamente empatado com Haddad, mas numericamente na frente com 12% de intenções de voto, enquanto o petista tem 10%. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em um mês de campanha, Ciro visitou São Paulo em 14 dias e passou pelo Rio de Janeiro em outros quatro. O estado de SP é o maior colégio eleitoral do país, com 33 milhões, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Já o Rio tem mais de 12 milhões de eleitores. O Brasil tem 147 milhões de cidadãos aptos a votar.

Segundo Carlos Lupi, presidente do PDT e um dos coordenadores da campanha de Ciro, a ideia é se aproveitar da base maior de "rejeição a Haddad no Sudeste". "O desafio é conseguir os votos que não são petistas e lulistas, mas ter voto dessa base que gosta de PT", além de atrair, sem ser de direita, "quem não gosta do PT."

De olho no aumento de votos no Sudeste, Ciro também tem aproveitado o horário eleitoral dos candidatos do PDT aos governos. Em SP, ele apareceu, pela primeira vez, na sexta-feira (14) na propaganda de Marcelo Cândido. Já no Rio, o presidenciável abriu o programa de Pedro Fernandes na semana passada. Além dos dois palanques, Ciro conta na região com os apoios de Alexandre Kalil (PHS), prefeito de Belo Horizonte, e Renato Casagrande (PSB), candidato ao governo do Espírito Santo.

A concentração também é explicada por outros motivos. Com muitos compromissos em SP e RJ, como sabatinas e debates, a locomoção fica mais fácil nos dois estados. Além disso, Ciro reside na capital paulista e o comando da campanha fica em São Paulo.

Dificuldade no Nordeste e no Norte

Apesar de ter sido governador do Ceará e ministro da Integração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) envolvido na transposição do rio São Francisco, obra importante para o Nordeste, Ciro Gomes tem aparecido pouco na região. Ao todo, ele foi três vezes ao Ceará e visitou outros estados em dois dias.

O trabalho da campanha de Ciro ficou mais difícil na região por causa dos palanques. Em três estados (Bahia, Ceará e Piauí), o PDT apoia governadores do PT. O caso mais emblemático é de Camilo Santana (PT-CE), que sucedeu Cid Gomes (PDT-CE), irmão de Ciro, e em sua campanha não fala sobre a disputa nacional para evitar conflito com um dos dois partidos.

Nos outros seis estados nordestinos, o PDT só tem candidatura própria no Rio Grande do Norte, onde lançou o ex-prefeito de Natal Carlos Eduardo, e palanques na Paraíba, Pernambuco e Sergipe, onde indicou os vices. No Maranhão e Alagoas, os pedetistas apoiam nomes em que os partidos das coligações têm outros presidenciáveis.

No Norte, a sigla tem candidatura própria no Amazonas, Amapá e Rondônia, sendo que nos dois primeiros Amazonino Mendes e Waldez Góes tentam a reeleição. Apesar disso, o nome de Ciro quase não aparece em propagandas na TV e rádio e em posts nas redes sociais. Ao todo, o presidenciável passou na região só dois dias, mesma quantidade que em Minas Gerais e na região Sul, e menos do que na região Centro-Oeste, com três dias.

Carlos Lupi afirma que ideia é repetir em outras regiões do Brasil o que já foi feito em SP e no RJ e usar o espaço de candidatos aos governos e ao Senado para divulgar mais o nome de Ciro e driblar o pouco tempo de TV e rádio.

De acordo com o Datafolha, Ciro está em empate técnico com Haddad no Nordeste e no Norte. No primeiro, o petista tem 20% e o pedetista, 18%. Já no segundo, o ex-ministro da Educação nos governos do PT soma 13% e o ex-ministro da Integração de Lula, 12%.

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