Na reta final, Ciro apela a mulheres e é aconselhado a evitar palavrões

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

  • Flavio Corvello/Estadão Conteúdo

    28.set.2018 - O candidato à presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes participa de encontro sobre políticas públicas para as mulheres, em São Paulo

    28.set.2018 - O candidato à presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes participa de encontro sobre políticas públicas para as mulheres, em São Paulo

Uma reunião com mulheres que apoiam a candidatura de Ciro Gomes (PDT) à Presidência nesta sexta-feira (28), a nove dias do primeiro turno eleitoral, em São Paulo, apresentou sugestões de política para o segmento e dicas de comportamento ao presidenciável perante o eleitorado feminino.

Ciro já protagonizou situações em que chamou de "filho da p." desde uma promotora de Justiça a populares, em atos de campanha, além de um seus principais adversários na corrida ao Planalto, Jair Bolsonaro (PSL). É ao capitão reformado que Ciro tem se referido de forma mais dura em declarações públicas.

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Na reunião desta sexta, da qual participaram pouco mais de 20 mulheres, o candidato ouviu que "filho da p." não é o tipo de expressão que tende a atrair as eleitoras indecisas ou que declaram voto nos concorrentes à sua candidatura.

"Esse é um eleitorado que certamente vai decidir o resultado, já que, além de as mulheres serem maioria [ao todo, 52% do universo de 147,3 milhões de votantes], elas integram a grande parcela de indecisos ou de gente disposta a anular o voto ou a se abster no dia da eleição, mas, pelas pesquisas, são as que mais tendem a comparecer", disse a candidata a vice na chapa de Marcelo Cândido (PDT) ao governo de São Paulo, Gleides Sodré, 45.

Janaina Garcia/UOL
Gleide Sodré (PDT), candidata a vice-governadora em SP
Filiada ao PDT há 12 anos, Gleides, que se declara feminista, foi uma das coordenadoras do encontro, realizado no comitê de campanha de Ciro na capital paulista.

"Ciro não é destempero, é emoção, mas está muito mais exposto que eu ou você justamente per ser candidato", afirmou. "Todo mundo diz 'filho da p.', inclusive nós, mulheres. Mas dissemos a ele que expressar a indignação dessa forma pode gerar uma distorção ou ser tomado, por algumas mulheres, como uma agressão", completou.

"Temos feito essa desconstrução e percebemos que ele está disposto a ouvir, tanto que vem banindo de suas falas a expressão 'biscate'—que pode ser vendedor, no Nordeste, mas também algo pejorativo para outras partes do país, como aqui em São Paulo", afirmou Gleides.

Candidato pediu presença feminina em ato contra Bolsonaro

Mais cedo, Ciro publicou vídeo em suas redes sociais chamando as eleitoras ao protesto contra Bolsonaro #EleNão, marcado para este sábado (29) em diversas cidades do Brasil e também no exterior. No material, explicou ainda que a reunião com as mulheres da campanha serviria para "orientar a militância a reforçar o movimento histórico".

Pouco antes da reunião no comitê, indagado pelo UOL se ele próprio iria ao ato, o pedetista descartou a possibilidade. "Acho que é ético que eu não vá porque esse é um movimento muito maior que todos os partidos brasileiros."

Após o encontro, Gleides afirmou que a militância pedetista feminina vai ao ato não apenas em São Paulo, como em outras cidades, como forma de aderir a uma "ação suprapartidária".

"Se houver a necessidade de fazer uma afirmação que o nome dele [Ciro] é o que a gente defende que trará políticas públicas às mulheres, a gente fará. Mas a ideia é fazer um ato suprapartidário, sem direcionamento a um ou outro candidato, e sim, para a política nacional de combate a qualquer foco de violência ou de destruição do Estado democrático de direito", concluiu.

Para a semana final do primeiro turno, a militância feminina de Ciro também organizará panfletaços pelas cidades com foco nos programas de governo voltado às mulheres.

Nas redes sociais e mesmo nos últimos discursos, o candidato reforçou as citações estatísticas de violência contra a mulher e a promessa de nomear ministras para metade dos ministérios.

Da reunião dessa sexta, além de candidatas ligadas ao PDT na eleição deste ano, participaram nomes como a vice de Ciro, a senadora Kátia Abreu (PDT-TO), a mulher do candidato, a produtora cultural Giselle Bezerra, a vice-governadora do Ceará, Izolda Cela, a escritora Fernanda Young e a ex-ministra da Cultura no governo Dilma Rousseff Ana de Hollanda.

Irmã de Chico Buarque, ex-ministra apoia Ciro 

Ana de Hollanda é irmã do cantor e compositor Chico Buarque, amigo pessoal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e eleitor declarado de Haddad. Questionada sobre as posições

Janaina Garcia/UOL
Ana de Hollanda, ex-ministra da Cultura no governo Dilma Rousseff (2011-2012)
divergentes entre os irmãos, ela disse que isso não causa mal-estar entre ambos.

"Meu pai [o historiador Sérgio Buarque de Holanda] deu toda a liberdade e estimulou o raciocínio, a reflexão. E todos os filhos sabem disso. A relação de irmãos continua ótima", resumiu.

Sobre a não escolha pelo partido de cujo governo fora ministra, Ana alegou ter preferido as propostas "muito mais progressistas" do pedetista. No segundo turno, porém, não descarta apoiar Haddad se ele, e não Ciro, disputar com Bolsonaro. "Contra o 'coiso' não dá para ser neutro", encerrou.

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