Serra alfineta Dilma e Lula em sua despedida do governo de SP

Maurício Savarese

Do UOL Notícias<br>Em São Paulo

  • Luis Carlos Murauskas/Folha Imagem

    Serra fala na bancada do Palácio dos Bandeirantes

    Serra fala na bancada do Palácio dos Bandeirantes

Atualizado às 20h00

Na prestação de contas que serviu como despedida do mandato, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), anunciou nesta quarta-feira (31) que deixará seu cargo durante cerimônia no Auditório Ulyses Guimarães, no Palácio dos Bandeirantes. Seu discurso, que durou 53 minutos, foi marcado por ataques velados à sua futura adversária na disputa pela Presidência da República, a agora ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Repudiamos sempre a espetacularização, a busca pela notícia fácil, o protagonismo sem substância”, afirmou Serra no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. "Este governo não cedeu à demagogia. (...) Nunca incentivamos o silêncio nem a conivência com o mal feito”, afirmou. “Já fui governo e já fui oposição, mas de um lado ou de outro, nunca me dei à frivolidade das bravatas”, declarou Serra, que deve entregar sua carta de renúncia à Assembleia Legislativa até sexta-feira.

Em meio à greve dos professores do Estado de São Paulo, considerada por ele partidária, Serra repetiu que faz administração republicana e independente de partidarismos e que refuta aqueles que fazem política com "falanges do ódio". A presidente do sindicato da categoria é filiada ao PT.

“No meu governo, nunca se olhou a cor da camisa partidária. Eu exerci o poder neste Estado sem discriminar ninguém”, afirmou Serra. "O nosso governo serve ao interesse público, e não à máquina partidária. Nós governamos para o povo", disse o governador, que disse ainda que sua gestão "ainda tem mais nove meses" e vai investir R$ 64 bilhões no Estado.

No evento, Serra fez um balanço dos seus 39 meses à frente do governo paulista, acompanhado por cerca de 5.000 pessoas, entre prefeitos e secretários, que chegaram em cerca de 100 ônibus ao Palácio, segundo os dados mais recentes da assessoria do governo paulista.

Sem ser conduzido
Serra citou lemas da bandeira de São Paulo para falar sobre seu estilo. Ele lembrou a frase em latim Non Ducor Duco (“não sou conduzido, conduzo”), que era o lema do Estado antes de 1932. Depois, falou do lema atual da bandeira paulista, Pro Brasilia Fiant Eximia (“pelo Brasil, façam-se as grandes coisas”). Já em clima de campanha, ele finalizou dizendo: “Esta é também a nossa missão. Vamos juntos, o Brasil pode mais”.

Aliados reclamaram nas últimas semanas da demora de Serra em anunciar que disputaria a Presidência da República, em meio ao avanço de Dilma nas pesquisas eleitorais. Em 2006, a hesitação do governador custou a ele, na época prefeito de São Paulo, a preferência interna do PSDB para enfrentar Lula. Geraldo Alckmin acabou candidato do partido e perdeu.

Veja quem sai para disputar cargos nas Eleições 2010

O mesmo Alckmin com quem rivalizou mereceu elogios do governador, que no ano passado o indicou secretário do Desenvolvimento para acabar com o mal estar gerado há quatro anos. "Ele nos deixou uma herança bendita", disse Serra, ao se referir às contas do Estado. O secretário deve deixar o cargo na quinta-feira para tentar voltar ao governo paulista. As pesquisas o indicam como favorito para vencer já no primeiro turno.

Entre os presentes estavam os presidentes do PSDB, senador Sergio Guerra (PE), e do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e do PPS, deputado Roberto Freire (PE). Após a cerimônia, Serra fez mais um pronunciamento do lado de fora do palácio, se dirigindo a cerca de 500 pessoas que não conseguiram entrar no auditório.

A renúncia é uma exigência da lei eleitoral para que o governador possa disputar as eleições de outubro. Também anunciou hoje sua saída da pasta a ministra Dilma Rousseff. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse a 10 novos ministros na manhã desta quarta.

Veja abaixo quem deixa o cargo e quem entra:

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