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"Senti os nervos à flor da pele", diz Thomaz Bastos sobre primeiro dia do mensalão no STF

Fabrício Calado

Do UOL, em Brasília

02/08/2012 18h59Atualizada em 02/08/2012 21h14

Os advogados Márcio Thomaz Bastos e Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defendem réus no processo do mensalão, afirmaram nesta quinta-feira (2) que é tenso o clima no primeiro dia do julgamento do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).

"Senti os nervos à flor da pele, mas isso é natural em um julgamento desta importância", disse Thomaz Bastos, que defende o ex-diretor do Banco Rural José Roberto Salgado. Para Thomaz Bastos, apesar de tenso, o tom do julgamento até aqui foi "construtivo". "Acredito que o debate vai ser tenso, e o julgamento, afinal, vai ser técnico."

Já Kakay criticou a postura do relator da ação penal, o ministro Joaquim Barbosa, que discutiu mais cedo com o ministro Ricardo Lewandowski. "O relator se comportou de forma deselegante e desnecessária, mas espero que agora [o debate] volte à normalidade. A urbanidade deve ser a regra não só dos ministros, como também dos advogados."

Toffoli e Power Point

Para Thomaz Bastos, está superada a discussão sobre se o ministro Dias Toffoli devia ou não se declarar impedido para participar do julgamento, já que ele é próximo do réu José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil. "Ele [Toffoli] já votou hoje, e não houve nenhuma suscitação de qualquer impedimento ou suspeição dele. Acredito que este assunto já esteja superado, porque ninguém levantou [a questão]."

Sobre o uso do Power Point pelos advogados dos réus, pedido negado ontem e discutido nesta quinta-feira (2) pela Corte, Thomaz Bastos foi contra a decisão do Supremo. "Esta é uma questão relevante. Acredito que se devia poder usar."

O presidente do STF, Ayres Britto, negou rediscutir a questão quando o advogado Alberto Zacharias Toron, que defende o deputado federal João Paulo Cunha (PT-SP), fez o pedido.

"Achei que o julgamento começou muito tenso, mas depois veio à normalidade. O único ministro que estava mais à vontade foi o Marco Aurélio [de Mello], que brincou, nos limites da situação, e estava mais tranquilo", avaliou Toron.

Infográfico

  • Arte/UOL

    Relembre o escândalo do mensalão, veja quem são os acusados, como teria sido o esquema e quais as possíveis penas

Entenda o julgamento

O caso do mensalão, denunciado em 2005, foi o maior escândalo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O processo tem 38 réus, incluindo membros da alta cúpula do PT, como José Dirceu. No total, são acusados 14 políticos, entre ex-ministros, dirigentes de partido e antigos e atuais deputados federais.

O grupo é acusado de ter mantido um suposto esquema de desvio de verba pública e pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. O esquema seria operado pelo empresário Marcos Valério, que tinha contratos de publicidade com o governo federal e usaria suas empresas para desviar recursos dos cofres públicos. Segundo a Procuradoria, o Banco Rural alimentou o esquema com empréstimos fraudulentos.

O tribunal vai analisar acusações relacionadas a sete crimes diferentes: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas e gestão fraudulenta. 

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