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Ex-deputados Argôlo e Vargas não respondem perguntas da CPI da Petrobras

Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo
Ao centro, o ex-deputado Luiz Argôlo (SD-BA); atrás dele, André Vargas, que também ficou calado na CPI da Petrobras Imagem: Cassiano Rosário/Futura Press/Estadão Conteúdo

Bruna Borges

Do UOL, em Curitiba

12/05/2015 15h03Atualizada em 12/05/2015 18h17

Convocados pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras a depor, os ex-deputados Luiz Argôlo (SD-BA) e André Vargas (sem partido-PR) optaram por não responder as perguntas dos parlamentares da comissão na audiência desta terça-feira (12) que ocorre em Curitiba com os presos da operação Lava Jato.

Os ex-parlamentares disseram que não responderiam as perguntas dos deputados a pedido de seus advogados. “Eu falei antes e ajudou minha defesa em nada, por isso me manterei calado”, disse Argôlo.

Argôlo esteve em setembro do ano passado no Conselho de Ética da Câmara para se defender das acusações de quebra de decoro parlamentar com a relação com o doleiro Alberto Youssef.

Naquela ocasião, Argôlo disse que nunca havia sido sócio do doleiro em qualquer empresa e que tinha havido "vazamentos seletivos” das mensagens interceptadas pela Polícia Federal para incluir seu nome nos casos de corrupção investigados pela Lava Jato.

"Os humilhados um dia serão exaltados. Isso é bíblico", disse ao romper o silêncio e voltar a afirmar que permaneceria calado.

Argôlo tambem voltou a se defender brevemente  durante suas considerações finais. Ele declarou que "apanhou" e foi "criticado" em ano eleitoral nas considerações finais.

"Eu conheci [Youssef] depois de deputado eleito. Eu conheci o empresário Alberto Youssef na casa de Mário Negromonte. [...] Quando eu o conheci, ele me informou que tinha um hotel em Salvador, que ia ampliar os negócios e depois comprou um em Porto Seguro."

O ex-deputado do Solidariedade é suspeito de ter ligações com o doleiro Alberto Youssef. Ele é acusado de receber dinheiro e favores do doleiro e de ter usado dinheiro da Câmara para viajar e se reunir com Youssef. Investigações da Polícia Federal apontam que Argôlo trocou 1.411 mensagens por celular com Youssef em seis meses. Ele também foi acusado pela contadora Meire Poza de ser sócio informal do doleiro.

Quando ainda era deputado no ano passado, Argôlo teve um pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética da Câmara, mas a legislatura acabou antes que o processo fosse votado no plenário da Casa. Ele não se reelegeu nas eleições do ano passado. E também foi afastado pelo seu partido.

André Vargas

Vargas é próximo do doleiro Alberto Youssef,  apontado como o principal operador do esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, e teve o mandato cassado em dezembro passado, sendo expulso do PT pelas relações com o doleiro.

O ex-petista também é investigado por lavagem de dinheiro na compra da própria casa em Londrina, no interior do Paraná. O imóvel foi sequestrado por ordem do juiz federal Sérgio Moro. Vargas declarou a compra do imóvel por R$ 500 mil, mas o vendedor, em sua declaração de rendimentos, declarou o negócio por R$ 980 mil, colocando o negócio sob suspeita.

Cordialidade dos deputados

É comum na CPI que os deputados se direcionem aos depoentes envolvidos no esquema de corrupção de forma agressiva, com acusações de que essas pessoas roubaram o país. Hoje, acontece o primeiro encontro entre Argôlo e os deputados, mas a atitude dos parlamentares é mais amena e mantém um tom cordial.

“Como parlamentar, é constrangedor interrogar um ex-deputado”, disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

O deputado Ônyx Lorenzoni (DEM-RS) é foi único parlamentar que atacou o ex-deputado Vargas. "Na Câmara era um falastrão e hoje é um caladão, se cala porque se enrola. Vamos aguardar a sentença do senhor Sérgio Moro. Eu não tenho nada a perguntar a esse cidadão", disse Ônyx.