Após ação da PF, líderes latino-americanos se solidarizam com Lula

Do UOL, em São Paulo

  • Silvia Izquierdo/AP

    Evo Morales (à esq.), da Bolívia, cumprimenta Lula durante evento no Rio de Janeiro

    Evo Morales (à esq.), da Bolívia, cumprimenta Lula durante evento no Rio de Janeiro

Líderes latino-americanos se expressaram nesta sexta-feira (4) sobre a 24ª fase da Operação Lava Jato, cujo alvo é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contra Lula havia um mandado de condução coercitiva, o que obrigou o ex-presidente a depor à Polícia Federal, no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, e provocou manifestações de solidariedade de seus colegas.

O ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, afirmou que a operação da Polícia Federal contra Lula é um déjà-vu. "A perseguição da Lula no Brasil nos lembra muito bem o que fizeram com o processo de transformação no Paraguai. Déjà-vu?", publicou em sua conta no Twitter.

Ele comparou a condução coercitiva de Lula para prestar depoimento na PF ao processo de impeachment pelo qual foi destituído em 2012. O afastamento de Lugo, na época, foi qualificado como ilegal por organismos internacionais, como a Unasul, e provocou a suspensão do Paraguai do Mercosul até a posse de Horacio Cartes, atual presidente do país, em 2013.

Já o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que disse considerar o fato um "ataque miserável" ao ex-presidente brasileiro. "Lula, o caminho foi longo e não puderam contigo, deste ataque miserável sairás mais forte. A Venezuela te abraça", escreveu Maduro em sua conta no Twitter.

Além de Maduro, o presidente boliviano, Evo Morales, também expressou solidariedade a Lula. Durante um discurso em Chapare, o boliviano afirmou que a condução coercitiva de Lula foi uma "lição do imperialismo" e disse que os Estados Unidos estariam tentando ameaçar os presidentes e ex-presidentes anti-imperialistas da América Latina.

O secretário-geral da Unasul, o colombiano Ernesto Samper, afirmou que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está sendo "submetido a um linchamento midiático". Pelo Twitter, Samper escreveu: "Minha solidariedade pessoal para com o ex-presidente Lula submetido a um linchamento midiático, que afeta seu direito à presunção de inocência."

No governo da Argentina, quem se pronunciou foi a chanceler Susana Malcorra. Ela afirmou que o país vizinho está preocupado com a crise política no Brasil, que é o principal parceiro comercial da Argentina.

Ela disse que "se o Brasil espirra" a Argentina tem "uma pneumonia", devido à grande "ligação e interdependência" dos dois países, durante uma entrevista à radio "Vorterix", pouco depois de saber sobre a operação de busca e apreensão no apartamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas Susana afirmou não saber detalhes do processo. "Certamente, acompanho como um cidadão acompanha o país vizinho. A situação em geral do Brasil é uma situação que nos ocupa e nos preocupa", declarou.

"É óbvio que uma situação de tensão política como a gerada ao redor destas questões não ajuda para a solução das complexidades econômicas que o Brasil está experimentando", acrescentou. Malcorra desejou que tudo "ocorra dentro da lei, que as coisas se resolvam e se resolvam o mais rápido possível".

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