Governador do PMDB ironiza novo ministério: "Não era combate à corrupção?"

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

  • Divulgação

    Jackson Barreto, governador de Sergipe

    Jackson Barreto, governador de Sergipe

O governador de Sergipe, Jackson Barreto (PMDB), criticou, na quinta-feira (19), a escolha do ministério do governo interino de Michel Temer. "Não gostei. Tanta gente da Lava Jato?! Não era combate a corrupção?", questionou. "Temo [retrocessos] porque a cara do ministério não é cara de compromisso social."

Barreto, que é um dos sete governadores do PMDB no país, disse que torce pelo retorno de Dilma Rousseff ao poder para que "volte a democracia". "Se a democracia voltar, a Dilma volta", disse o sergipano, que participou de encontro de governadores do Nordeste em Maceió. Procurado, Michel Temer afirmou, por meio de sua assessoria, que não comentaria as declarações.

Outra crítica de Barreto foi ao líder do governo na Câmara, André Moura (PSC-SE). "Sabe quem foi condenado na família dele? Ele, inelegível; a esposa dele, inelegível; o cunhado prefeito de Pirambu; a mãe dele e a irmã também. Todos condenados por improbidade e corrupção! Esse rapaz é o líder do governo. É demais pra mim", disse.

Moura também é alvo da Lava Jato, suspeito de tentativa de assassinato e réu em três ações no STF (Supremo Tribunal Federal). O deputado nega todas as acusações.

Frustração

Questionado se o governo Temer era legítimo, Barreto afirmou que não iria entrar no mérito. "Temos que discutir a quebra do processo democrático. Eu me sinto frustrado em ter sido um combatente contra a ditadura, ser um preso político, ser julgado na auditoria militar, sofrer todo tido de perseguição e, depois de tanta luta, ver a quebra desse processo democrático", disse.

Nem o partido dele escapou das críticas. "[O PMDB] Está meio partido, espero que se reencontre. Existe só um lado que não está perdido, mas não acho que são muitos [integrantes]", afirmou.

Segundo Barreto, Temer é um nome importante do PMDB, mas pecou pelas convivências escolhidas para o governo. "Sempre convivi bem com ele, disse várias vezes que era uma boa ele ser presidente do partido, era um professor de direito constitucional respeitado", disse.

Defesa a Temer

Em meio a críticas ao governo Temer, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), foi uma voz solitária em defesa ao governo durante o encontro dos governadores. Ele disse que é preciso ser otimista e incentivar o governo interino a fazer as mudanças necessárias.

"A gente tem que torcer para dar certo, o Brasil precisa voltar a crescer e gerar emprego e gerar renda. Precisamos ajudar as coisas da forma que podemos: apoiando as reformas estruturais em benefícios do país. Não vamos nos omitir, mas temos que ter a compreensão de que o Estado não pode gastar mais que arrecada", afirmou.

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