Alan Marques/Folhapress

Processo de impeachment

Líder do PSDB no Senado diz ver abuso em prisão de ex-ministro petista

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

O senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) afirmou nesta quinta-feira (23) considerar um abuso o fato de um juiz de primeira instância, e não o STF (Supremo Tribunal Federal), ter dado a ordem de busca e apreensão no apartamento funcional da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que é casada com o ex-ministro Paulo Bernardo, preso pela manhã. O despacho da operação de hoje é assinado pelo juiz federal substituto Paulo Bueno de Azevedo, da 6ª Vara Criminal de São Paulo.

"As investigações têm nosso apoio. Contudo, é preciso coibir e ficar atentos a abusos, porque um juiz de primeira instância não tem jurisdição para determinar buscas na casa de uma senadora. Pode até se admitir nas propriedades privadas, mas em uma residência oficial, em um apartamento funcional do Senado, só quem poderia autorizar é o Supremo Tribunal Federal", afirmou o tucano, em conversa com jornalistas durante sessão da comissão que julga o impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

Sobre o fato de o episódio não ter sido comentado pelos senadores durante a reunião, Cunha Lima disse que se tratava de um "silêncio respeitoso". "Apesar de sermos políticos, nós também somos gente", declarou o senador, que disse respeitar dor da família.

Ele disse ainda que precisava manter a coerência, já que criticou o pedido de prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo MP-SP (Ministério Público de São Paulo) e a divulgação dos grampos no telefone do petista, em março. "E fui muito criticado por isso", disse. 

O ex-ministro foi preso no âmbito da Operação Custo Brasil, que é um desdobramento da fase Pixuleco 2 da Operação Lava Jato, de agosto de 2015. Além da Polícia Federal, a ação é comandada pelo Ministério Público Federal e a Receita Federal.

Paulo Bernardo ocupou as pastas do Planejamento, entre 2005 e 2011, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e das Comunicações, entre 2011 e 2015, na gestão da presidente Dilma.

 

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