Serra disse que não queria pensar em vitória de Trump para "não sofrer por antecipação"

Do UOL, em São Paulo

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse em julho deste ano que não queria nem pensar na hipótese de Donald Trump ser o novo presidente dos Estados Unidos, o que de fato ocorreu nesta quarta-feira (9).

Em entrevista ao programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, Serra disse que não queria sofrer por "antecipação" pensando na vitória do magnata norte-americano e que, caso ele fosse eleito, teria de "ver, pragmaticamente, o que fazer".

"Eu disse até espontaneamente: não quero nem pensar [na vitória de Trump]. Agora, eu digo pensando: não quero nem pensar. Não é nem espontâneo isso."

Questionado sobre a possibilidade de Trump ser eleito, Serra comentou à época: "aí a gente vai ter que ver". "Eu não vou sofrer por antecipação. É preciso ser muito masoquista para ficar imaginando que o Trump vá ganhar. Agora, se ganhar, nós vamos ter que ver, pragmaticamente, o que fazer."

Quando concedeu a entrevista ao programa, Serra estava havia apenas um mês e meio no cargo, e Temer ainda era presidente interino, enquanto o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) tramitava no Senado.

O UOL procurou hoje o Itamaraty para comentar a vitória de Trump e as declarações de Serra, mas ainda não obteve resposta.

Temer diz que relação não muda

Em entrevista à rádio Itatiaia na manhã desta quarta-feira, Temer disse que a vitória de Trump não muda em nada a relação entre o Brasil e os Estados Unidos.

"Tenho dito que a relação do Brasil com os Estados Unidos e os demais países é institucional, ou seja, de Estado para Estado", comentou. "É claro que o novo presidente [norte-americano] que assume terá de levar em conta as aspirações de todo o povo americano. Tenho certeza que não muda nada na relação Brasil e EUA".

O ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) afirmou que o resultado é o retrato de um novo momento na cena política e vem em linha similar à decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia.

"Não é surpreendente [o resultado da eleição], considerando a madura democracia dos Estados Unidos. É um retrato de um novo tempo do processo político, vimos isso também quando a Inglaterra decidiu sair do mercado comum. Portanto não há grande surpresa, estamos convivendo e temos que aprender a conviver com novos tempos em política", afirmou o ministro.

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