Dinheiro ilícito de Cabral pagou som, joias e professor de equitação, diz delação

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Carlos Magno/Divulgação

    Cabral foi preso no âmbito da Operação Lava Jato sob acusação de chefiar esquema de recebimento de propina

    Cabral foi preso no âmbito da Operação Lava Jato sob acusação de chefiar esquema de recebimento de propina

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) e seus dois principais aliados, Carlos Miranda e Wilson Carlos, efetuaram diversos pagamentos com os mais de US$ 100 milhões desviados para contas no exterior, segundo apuração da Operação Eficiência, realizada na quinta-feira (26) pela Polícia Federal.

Entre as aquisições de Cabral, estão um poderoso equipamento de som que custou R$ 150 mil, e os serviços de um professor de equitação, ao custo de R$ 3.250. O instrutor foi contratado pelo ex-governador para dar aulas para um de seus filhos na Hípica, na zona sul carioca, de acordo com o despacho do juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Marcelo Bretas.

Cabral também gastou mais de US$ 258 mil na compra de joias da H.Stern no exterior. As informações sobre as despesas dos investigados constam na colaboração premiada os irmãos Marcelo e Renato Chebar, que atuavam como doleiros e remetiam a contas no exterior os lucros obtidos de forma ilícita pelo ex-governador.

Durante a Operação Calicute, que resultou na prisão de Cabral e de seus dois operadores, os investigadores já haviam detectado que a aquisição de joias e artigos de luxo era um dos principais mecanismos de lavagem de dinheiro da quadrilha que, na versão do MPF e da Justiça federal, era liderada pelo ex-chefe do Executivo fluminense.

O político do PMDB, hoje preso em Bangu, na zona oeste do Rio, também chegou a desembolsar entre R$ 40 mil e R$ 50 mil com pagamentos de faturas do cartão de crédito de sua ex-mulher, Suzana Neves, levada para depor nesta quinta em cumprimento a mandando de condução coercitiva. Segundo o advogado dela, Sérgio Riera, Suzana desconhecia a origem do dinheiro.

Os pagamentos ordenados por Cabral seriam efetivados pelos seus operadores, e o contato se daria entre Miranda e os irmãos Chebar por meio de uma conta de e-mail criada com essa única finalidade. Para evitar a interceptação das mensagens, os investigados usavam a pasta de rascunho.

Segundo o despacho do juiz, qualquer um que tivesse o login e a senha da conta de e-mail poderia acessar e visualizar o conteúdo de mensagens e arquivos, incluindo anexos de boletos e faturas. O método dificulta o rastreamento, já que, dessa forma, as mensagens não passam pelo servidor.

Além de Cabral e de Miranda, presos na Operação Calicute, um dos alvos da ação de quinta é o ex-bilionário Eike Batista, acusado de fazer repasses de dinheiro para o ex-governador. Contra ele há um mandado de prisão preventiva, que não foi cumprido porque o empresário, considerado foragido, está fora do país.

A reportagem tentou contato, por telefone, com o advogado de Cabral, Ary Bergher, mas ele não atendeu e nem retornou aos telefonemas. Os defensores de Carlos Miranda e Wilson Carlos também não foram localizados.

O esquema

Na Operação Eficiência, investigadores da PF e do Ministério Público Federal descobriram que Cabral e seus operadores financeiros, sobretudo Carlos Miranda e o ex-secretário de Estado do Rio Wilson Carlos, mantinham mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões) em contas no exterior.

O esquema de corrupção e lavagem de dinheiro consistia em remessas destinadas a contas de doleiros e até mesmo compra de ações da Petrobras, da Vale e da Ambev na Bolsa de Nova York. Do montante total, US$ 16,5 milhões foram pagos por Eike Batista, segundo despacho do juiz Marcelo Bretas. O MPF suspeita que o dinheiro seja fruto de propina.

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