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Dinheiro ilícito de Cabral pagou som, joias e professor de equitação, diz delação

Cabral foi preso no âmbito da Operação Lava Jato sob acusação de chefiar esquema de recebimento de propina - Carlos Magno/Divulgação
Cabral foi preso no âmbito da Operação Lava Jato sob acusação de chefiar esquema de recebimento de propina Imagem: Carlos Magno/Divulgação

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

27/01/2017 15h58

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB) e seus dois principais aliados, Carlos Miranda e Wilson Carlos, efetuaram diversos pagamentos com os mais de US$ 100 milhões desviados para contas no exterior, segundo apuração da Operação Eficiência, realizada na quinta-feira (26) pela Polícia Federal.

Entre as aquisições de Cabral, estão um poderoso equipamento de som que custou R$ 150 mil, e os serviços de um professor de equitação, ao custo de R$ 3.250. O instrutor foi contratado pelo ex-governador para dar aulas para um de seus filhos na Hípica, na zona sul carioca, de acordo com o despacho do juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Marcelo Bretas.

Cabral também gastou mais de US$ 258 mil na compra de joias da H.Stern no exterior. As informações sobre as despesas dos investigados constam na colaboração premiada os irmãos Marcelo e Renato Chebar, que atuavam como doleiros e remetiam a contas no exterior os lucros obtidos de forma ilícita pelo ex-governador.

Durante a Operação Calicute, que resultou na prisão de Cabral e de seus dois operadores, os investigadores já haviam detectado que a aquisição de joias e artigos de luxo era um dos principais mecanismos de lavagem de dinheiro da quadrilha que, na versão do MPF e da Justiça federal, era liderada pelo ex-chefe do Executivo fluminense.

O político do PMDB, hoje preso em Bangu, na zona oeste do Rio, também chegou a desembolsar entre R$ 40 mil e R$ 50 mil com pagamentos de faturas do cartão de crédito de sua ex-mulher, Suzana Neves, levada para depor nesta quinta em cumprimento a mandando de condução coercitiva. Segundo o advogado dela, Sérgio Riera, Suzana desconhecia a origem do dinheiro.

Os pagamentos ordenados por Cabral seriam efetivados pelos seus operadores, e o contato se daria entre Miranda e os irmãos Chebar por meio de uma conta de e-mail criada com essa única finalidade. Para evitar a interceptação das mensagens, os investigados usavam a pasta de rascunho.

Segundo o despacho do juiz, qualquer um que tivesse o login e a senha da conta de e-mail poderia acessar e visualizar o conteúdo de mensagens e arquivos, incluindo anexos de boletos e faturas. O método dificulta o rastreamento, já que, dessa forma, as mensagens não passam pelo servidor.

Além de Cabral e de Miranda, presos na Operação Calicute, um dos alvos da ação de quinta é o ex-bilionário Eike Batista, acusado de fazer repasses de dinheiro para o ex-governador. Contra ele há um mandado de prisão preventiva, que não foi cumprido porque o empresário, considerado foragido, está fora do país.

A reportagem tentou contato, por telefone, com o advogado de Cabral, Ary Bergher, mas ele não atendeu e nem retornou aos telefonemas. Os defensores de Carlos Miranda e Wilson Carlos também não foram localizados.

O esquema

Na Operação Eficiência, investigadores da PF e do Ministério Público Federal descobriram que Cabral e seus operadores financeiros, sobretudo Carlos Miranda e o ex-secretário de Estado do Rio Wilson Carlos, mantinham mais de US$ 100 milhões (cerca de R$ 340 milhões) em contas no exterior.

O esquema de corrupção e lavagem de dinheiro consistia em remessas destinadas a contas de doleiros e até mesmo compra de ações da Petrobras, da Vale e da Ambev na Bolsa de Nova York. Do montante total, US$ 16,5 milhões foram pagos por Eike Batista, segundo despacho do juiz Marcelo Bretas. O MPF suspeita que o dinheiro seja fruto de propina.

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