Operação Lava Jato

Propina paga a secretário de Cabral foi chamada de "papai noel atrasado", diz Lava Jato

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Fábio Motta/Estadão Conteúdo

    O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes é preso pela PF

    O ex-secretário de Saúde do Rio de Janeiro Sérgio Côrtes é preso pela PF

Investigado no âmbito da Operação Fatura Exposta, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, o funcionário da Secretaria de Estado de Saúde Rodrigo Abdon enviou um e-mail para o então chefe, o ex-secretário Sérgio Côrtes, preso nesta terça-feira (11), em que se refere a propina de quase US$ 4 milhões como "papai noel atrasado". É o que revela o juiz da 7ª Vara Criminal Federal, Marcelo Bretas, em decisão que autoriza condução coercitiva para depoimento de Abdon na Polícia Federal.

O dinheiro foi pago a Cortês pela empresa Neurológica Incorporated em troca de supostas vantagens em licitações e contratos firmados com o Estado do Rio. A troca de mensagens contém o comprovante do depósito, que foi realizado em uma conta no Bank of America, nos Estados Unidos.

Abdon se refere ao dinheiro como "papai noel atrasado" porque o montante deveria ter sido disponibilizado antes, mas a transação acabou atrasando em razão de burocracia bancária.

Côrtes, que foi secretário estadual de Saúde entre 2007 e 2013, na gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) — também preso após denúncias de corrupção —, é um dos principais alvos da Operação Fatura Exposta. Além dele, foram presos o empresário Miguel Iskin, proprietário do grupo Oscar Iskin, e seu sócio e operador financeiro, Gustavo Estellita.

Côrtes é suspeito de ter cometido fraudes em licitações para beneficiar a empresa de Iskin. Somente entre 2007 e 2016, as investigações apontam desvios de ao menos R$ 300 milhões.

Esquema pode estar vivo

Os procuradores da força-tarefa da Lava Jato no Rio dizem acreditar que o esquema de fraudes na saúde pública do Estado continua na gestão do governador, Luiz Fernando Pezão (PMDB).

Segundo o MPF e a Polícia Federal, os contratos firmados entre 2007 e 2013, na gestão de Côrtes e de Sérgio Cabral, ainda estão em vigor. Pezão assumiu o governo em 2014, após Cabral renunciar, e foi reeleito no mesmo ano.

Questionado se o esquema criminoso continua "em andamento dentro da Secretaria Estadual de Saúde", o procurador Eduardo El Hage, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Rio, disse apenas que "sim". Ainda sobre o assunto, o procurador Rodrigo Timóteo disse que há agentes públicos, contratos e prestadores de serviço, que estão na mira da PF.
 
"Sobre a questão da corrupção, temos ciência que os contratos [ainda estão em vigor], os medicamentos e equipamentos ainda estão sendo fornecidos. Temos certeza de quem a gente prendeu e quem a gente está oferecendo essas [medidas] cautelares. Mas sabemos que a contratação ainda existe. Suspeitamos e vamos continuar a investigação."
 
Segundo El Hage, as empresas que prestam serviço para o governo do Estado na área de saúde já estão sendo investigadas. Timóteo não revelou nomes, mas é certo que algumas pertencem a Miguel Iskin, também preso nesta terça sob suspeita de atuar em conjunto com Côrtes.
 
"A empresa de Miguel Iskin, a Oscar Iskin, e outras empresas de Miguel Iskin e [Gustavo] Estellita, como a Levfort, continuam contratando com o governo do Estado, com OSs (Organizações Sociais) do Estado e com o governo federal. Mais do que nunca, o fato está ocorrendo agora. A corrupção está ocorrendo agora."

"Os contratos estão em vigência. Existe contratação e nós estamos prosseguindo com a investigação. Acreditamos que vamos identificar possíveis agentes públicos [que estejam no quadro atual da Secretaria de Estado de Saúde], mas isso é uma continuidade da investigação", acrescentou Timóteo.

Outro lado

A defesa de Sérgio Côrtes disse, por meio de nota, que o ex-secretário "tem todo interesse em elucidar os fatos atribuídos a ele e que, no momento oportuno, provará sua inocência". Já os advogados de Rodrigo Abdon e da Neurológica Incorporated não foram localizados.
 
Procurado pelo UOL, o advogado de Iskin, Alexandre Lopes, informou que "só vai se posicionar após ter acesso ao conteúdo das investigações e delações".
 
Procurada, a assessoria de imprensa do governo do Rio de Janeiro orientou a reportagem a procurar a Secretaria de Estado de Saúde. A Pasta informou que "a atual gestão não firmou contratos com a empresa Oscar Iskin" e contestou as declarações dos procuradores do MPF. Na versão do governo, não há acordos em vigor. O último foi finalizado em 2014, informou o órgão.
 

Fatura Exposta

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