Após denúncias envolvendo Temer e Aécio, FHC fala em renúncia

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

  • Agência Brasil

    Sem citar diretamente Temer nem Aécio, o ex-presidente disse que 'os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia'

    Sem citar diretamente Temer nem Aécio, o ex-presidente disse que 'os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia'

Em seu primeiro pronunciamento após as denúncias contra o presidente Michel Temer (PMDB) e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pediu "gestos de renúncia" em caso de não esclarecimento das suspeitas. A mensagem, publicada em seu perfil no Facebook no início da tarde desta quinta-feira (18), fala que "os atingidos por elas têm o dever de se explicar e oferecer à opinião pública suas versões".

"Se as alegações de defesa não forem convincentes, e não basta argumentar são necessárias evidências, os implicados terão o dever moral de facilitar a solução, ainda que com gestos de renúncia. O país tem pressa. Não para salvar alguém ou estancar investigações", escreveu FHC sem citar nomes.

Para o ex-presidente, "a solução para a grave crise atual deve dar-se no absoluto respeito à Constituição".

É preciso saber com maior exatidão os fatos que afetaram tão profundamente nosso sistema político e causaram tanta indignação e decepção.

Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República

O ex-presidente ainda pediu que as gravações que mostraram o pedido de pagamentos feitos por Temer e Aécio a donos do frigorífico JBS sejam divulgadas. "É preciso dar publicidade às gravações e ao fundamento das acusações".

O tucano diz acreditar ser necessária "pressa" na resolução da crise "para ver, na prática, medidas econômico-sociais que deem segurança, emprego e tranquilidade aos brasileiros". "E pressa, sobretudo, para restabelecer a moralidade nas instituições e na conduta dos homens públicos".

Entenda as acusações

De acordo com informações divulgadas pelo jornal "O Globo" nesta quarta-feira (17), Joesley Batista, um dos donos da JBS, encontrou Temer no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário teria registrado a conversa com um gravador escondido. Batista disse ter contado a Temer que estava pagando ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e ao lobista Lúcio Funaro para ficarem calados. O presidente, segundo o empresário, responde: "Tem que manter isso, viu?".

Em nota publicada ontem, Temer confirmou o encontro, mas disse que "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha" e negou ter participado ou autorizado "qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

No caso do Aécio, ele foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Batista. O empresário entregou um áudio à Procuradoria-Geral da República em que o tucano pede a quantia, sob o pretexto de pagar as despesas com sua defesa na Operação Lava Jato. 

Hoje, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin proibiu Aécio de exercer as funções de senador. A Procuradoria-Geral da República também pediu a prisão do tucano, mas Fachin, responsável pela Lava Jato na Corte, negou o pedido. A irmã de Aécio, Andrea Neves, foi presa.

José Eduardo Alckmin, um dos advogados do tucano, afirmou que o senador está "inconformado e surpreso" com as acusações de que teria pedido R$ 2 milhões a Batista. Ele confirmou o pedido, mas disse se tratar apenas um empréstimo pessoal e que houve uma "descontextualização" da fala de Aécio na gravação.

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