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Cabral é condenado pela 5ª vez, e penas somam 100 anos

Giuliano Gomes/PR Press/Estadão Conteúdo
Cabral foi transferido para Complexo Médico-Penal, no Paraná, no fim de janeiro Imagem: Giuliano Gomes/PR Press/Estadão Conteúdo

Paula Bianchi

Do UOL, no Rio

02/03/2018 18h29

O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) foi condenado pela quinta vez nesta sexta-feira (2) por lavagem de dinheiro através da compra de joias na H.Stern. Com a condenação de 13 anos e quatro meses de prisão determinada pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, as penas contra Cabral chegam a cem anos.

Cabral responde a 21 processos na Justiça Federal. Ele já foi condenado a 87 anos de prisão em quatro ações --uma julgada pelo juiz Sergio Moro, responsável pelos casos da Lava Jato em Curitiba, e as outras por Bretas:

Acusado de liderar uma organização criminosa e cobrar 5% propina (taxa de oxigênio) sobre o valor das obras do Estado.

Acusado de receber propina do empresário Eike Batista.

Acusado de receber propinas nas obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Estado do Rio).

Acusado de lavar dinheiro com a compra de carros e imóveis.

Também foram condenados nesta sexta a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo, além de Carlos Miranda e Luiz Carlos Bezerra, apontados como principais operadores financeiros do ex-governador.

Adriana, em prisão domiciliar desde dezembro, foi condenada a dez anos e oito meses de prisão. É a terceira condenação dela. Suas penas somam 37 anos e 11 meses.

Miranda foi condenado a oito anos e dez meses de prisão e Bezerra, a quatro anos.

Delator na Lava Jato, Miranda negociou em seu acordo pena total de 20 anos em troca de informações --com a sentença desta sexta, sua pena chega formalmente a 71 anos de prisão.

Na sentença de hoje, Bretas afirma que fica claro que o ex-governador é o "principal idealizador do audaz esquema de lavagem de dinheiro".

"A magnitude de tal esquema impressiona, sobretudo pela quantidade de dinheiro movimentado. Especificamente no caso dos autos, foram “lavados” mais de quatro milhões de reais em apenas 5 operações de compra de joias", escreve o juiz.

O Ministério Público Federal acusou Cabral de ter ocultado R$ 4,5 milhões, recebidos como propina, por meio da compra de joias na H.Stern. Foram citados: três brincos de ouro; um anel de ouro; e um conjunto composto de pulseira, brinco e anel, todos de ouro e com diamantes e rubi.

Procurada pela reportagem, a defesa do ex-governador disse que irá recorrer da decisão e pedir a suspeição de Bretas.

"É apenas mais um capítulo da sentença que já foi proferida no processo originário. Na sentença anterior, o próprio juiz reconheceu que tem Sérgio Cabral como culpado de todos os fatos que lhe são imputados nos processos em curso na 7ª Vara Federal do Rio", afirmou o advogado Rodrigo Roca.

"A defesa irá recorrer da condenação e impetrará um habeas corpus para que o referido juiz seja impedido de sentenciar nos feitos que envolvem o nome do ex-governador. Ademais, a própria ideia de que alguém possa lavar dinheiro através de joias é, por si, insustentável."

Cabral está preso preventivamente desde novembro de 2016 e foi transferido em novembro para o Paraná por suspeitas de regalias no presídio no Rio.

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