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Caravana de Lula foi atingida por 2 tiros no PR, diz perícia; polícia não tem suspeitos

Marlene Bergamo/Folhapress
Ônibus da caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi atingido por tiros no Paraná Imagem: Marlene Bergamo/Folhapress

Vinicius Boreki

Colaboração para o UOL, em Curitiba

05/04/2018 19h09Atualizada em 06/04/2018 02h29

A perícia realizada em um dos ônibus que transportava a caravana do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná foi atingida por dois tiros, segundo o perito Inajar Antonio Kurowski. Os outros dois veículos investigados foram atingidos por pedras e ovos, não por disparos de arma de fogo, após exames para detectar a presença de chumbo.

O ataque ocorreu na noite do último dia 27, quando a caravana seguia de Quedas do Iguaçu rumo a Laranjeiras do Sul, a cerca de 365 km da capital paranaense. No último dia 28, o ex-presidente encerrou a sua caravana em Curitiba.

Segundo a polícia, a conclusão do laudo vai na contramão do que alegaram as testemunhas, que ouviram apenas um estampido, e das declarações de passageiros da caravana, que chegaram a relatar três ou quatro disparos diferentes.

“As testemunhas relataram que ouviram apenas um estampido de arma de fogo”, declarou o delegado-titular de Laranjeiras do Sul, Helder Lauria. Segundo o delegado, 15 pessoas já foram ouvidas – entre passageiros, pessoas que estavam nos pontos de parada dos ônibus e policiais rodoviários –, mas ainda não há suspeitos.

Posição do disparo

Em entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (5), Kurowski apresentou o laudo, mostrando que um dos tiros foi encontrado na lateral do veículo, onde há uma perfuração na qual foi encontrado o projétil, enquanto o segundo acertou de forma tangencial o vidro, e o cartucho não foi encontrado.

O responsável pela agressão estaria atrás do ônibus. “Os dois tiros vieram de uma posição mais alta que o ônibus, cerca de 4 metros acima. O atirador também estava a aproximadamente 19 metros do ônibus quando executou os disparos”, explica Kurowski.

Conforme a perícia, após a análise de características de chumbo, sulcos e ressaltos, o projétil seria da família calibre 32, que pode abranger mais de 50 tipos diferentes de munições. “Pode-se afirmar que se trata de uma arma e de uma munição que já saíram de fabricação e estão totalmente fora de uso”, explica. Embora não seja possível identificar a arma, a suspeita de Kurowski é de que seja uma arma conhecida como "garrucha", uma espécie de pistola antiga, de dois canos.

O delegado responsável pelo caso afirma que, em posse dessas informações, vai voltar ao local relatado para procurar possíveis pontos de onde os disparos poderiam ter saído. “Saber o tipo da arma pode ajudar no momento em que nós fizermos alguma apreensão”, explicou Lauria.

Ônibus em movimento?

A perícia não foi conclusiva para determinar se o ônibus estava em movimento na hora dos disparos. “A velocidade de um projétil é muito alta quando comparada ao deslocamento de um ônibus, por isso é complicado chegar a esse tipo de conclusão”, diz o perito.

A tentativa de analisar as imagens para delimitar o trecho exato dos disparos foi frustrada devido à má qualidade. “Desta forma, impossibilita um posicionamento inconclusivo com base nas imagens fornecidas”, avalia o perito criminal Lucas de França Leviski.