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Lula diz a Gleisi e Haddad que "manobra" do STF tenta impedi-lo de ser candidato

Ricardo Stuckert/Divulgação
Imagem: Ricardo Stuckert/Divulgação

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

28/06/2018 18h48

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffman (PR), e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad visitaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril na sede da Polícia Federal, em Curitiba, na tarde desta quinta-feira (28). Ao sair do local, Gleisi afirmou a jornalistas que Lula se acha alvo de uma “manobra” no STF (Supremo Tribunal Federal) para que ele não tenha o seu recurso julgado pela 2ª Turma da corte na tentativa de impedi-lo de ser candidato.

“Ele acha que a manobra que aconteceu no STF de não deixarem a 2ª Turma, que era o natural, analisar o caso dele acontece exatamente para proibi-lo ou querer tentar impedi-lo de ser candidato”, disse a senadora.

Na sexta-feira (22), após o TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) negar o pedido da defesa de Lula de recurso extraordinário ao STF, Fachin suspendeu o julgamento de um pedido do petista que estava previsto para terça (26), dentro da pauta da 2ª Turma da Corte, e que poderia libertá-lo da prisão.

A defesa recorreu aos dois tribunais, e Fachin então decidiu enviar o caso ao plenário do STF, tirando-o da análise da Turma. Nesta sexta, ele liberou o recurso para ser julgado. A data para isso, porém, depende da presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia.

Lula lidera as intenções de voto espontâneas, com 21%, de acordo com pesquisa realizada pela CNI/Ibope na semana passada e divulgada nesta quinta-feira (28). Nesse tipo de consulta, não são apresentados os nomes dos prováveis candidatos aos entrevistados.

Gleisi voltou a afirmar que Lula é “candidatíssimo” e que só existem duas possibilidades de ele não se postular à presidência: se provarem que ele é culpado ou se ele morrer. A conversa entre Gleisi, Haddad e Lula durou cerca de uma hora.

“Ele voltou a falar da maneira que vem sendo tratado nas instâncias superiores, das manobras jurídicas que vêm sendo feitas para impedir que o Supremo conceda o habeas corpus para que ele possa responder em liberdade e provar o que já está demonstrado nos autos”, disse Haddad.

Haddad falou ter havido decisões importantes reconhecendo “equívocos” por parte das instâncias inferiores, sem se referir diretamente à absolvição, por unanimidade, de Gleisi e do marido dela, o ex-ministro Paulo Bernardo (PT), da acusação apresentada pela PGR (Procuradoria-Geral da República) pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro em processo ligado à Operação Lava Jato. “Tem havido decisões importantes reconhecendo equívocos por parte das instâncias inferiores e no caso dele esse tratamento não está sendo isonômico, ou seja, não está tendo o mesmo tratamento dos demais”, afirmou.

Ainda segundo o ex-prefeito, Lula demonstrou preocupação com o tratamento das crianças brasileiras nos EUA, separadas dos pais por medida do presidente Donald Trump, e criticou o presidente Michel Temer (MDB) na crise. “O presidente falou muito desse assunto, pediu para manifestar sua indignação com a situação dessas crianças”, disse Haddad.

“O atual presidente, no exercício da presidência, reclamava que não se encontrava com o vice-presidente americano e quando o faz, o presidente em exercício acaba levando um ‘pito’ do vice-presidente norte-americano pelo descaso do governo brasileiro pela situação crítica de crianças brasileiras separadas dos seus pais”, disse. 

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