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Política

Mourão chama Bolsonaro de "estadista" e não pensa nas próximas eleições

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

29/11/2018 13h23Atualizada em 29/11/2018 13h53

O vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, chamou o presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), de "estadista" e pediu a união da população para o progresso do Brasil, que tem um “destino manifesto” a cumprir.

Mourão participou de um evento sobre infraestrutura na sede da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), em Brasília. Além de discursar, ele respondeu a perguntas de entidades do setor.

O vice-presidente eleito afirmou que “o lado que perdeu a eleição”, sem citar o PT de forma direta, busca denegrir a imagem de Bolsonaro.

“Infelizmente, o lado que perdeu a eleição, desconhecendo o princípio básico da democracia que é a alternância do poder, procura de todas as maneiras, principalmente no exterior, mostrar a figura do novo presidente como alguém que não está adaptado nem conhece o que são os tempos modernos. Quero deixar muito claro que o presidente Bolsonaro é um líder, sempre foi, mas mais do que isso. Ele é um estadista. O pensamento que ele tem desde já é nas novas gerações de brasileiros, não nas próximas eleições”, disse.

“Quero deixar claro o compromisso do presidente Bolsonaro com a democracia, a liberdade e a justiça para todos. Fora disso não há futuro, fora disso não há Brasil. Podem ter certeza de que nossa sociedade chegou ao ponto em que ela não aguenta mais ver os desonestos lucrarem e os honestos serem punidos. A hora é de estarmos todos unidos, todos os brasileiros independentemente do que pensemos ou não, mas unidos em torno dessa visão em comum de que o país tem de progredir, tem de se liberar dessas amarras”, declarou.

Ele comparou a capacidade do Brasil a um cavalo de nível olímpico “capaz de saltar 1,80 (m)” desde que seja montado por um ginete com “mão de seda, cintura de borracha e de perna de aço”. No entanto, segundo ele, o país vem saltando somente 70 centímetros e sendo conduzindo por um ginete “pesadão, mão de ferro e perna frouxa”.

Mourão defendeu que Bolsonaro está mudando a maneira de escolher os nomes para compor seu ministério – até o momento, foram anunciados 19 nomes – e as pastas não são mais entregues a partidos políticos. Nos últimos dias, os futuros ministros têm ressaltado serem indicados por frentes parlamentares. Há, porém, descontentamento em siglas que avaliam estarem sendo deixadas de lado, como o próprio PSL de Bolsonaro.

Segundo Mourão, há no Brasil uma criminalidade tanto de “nível mais baixo”, com tráficos e assaltos, quanto outra mais elaborada. Ele então aproveitou para criticar a possibilidade de que o STF (Supremo Tribunal Federal) considere constitucional o indulto de Natal editado no ano passado pelo presidente Michel Temer (MDB). Após empate nesta quarta (28), o julgamento deverá ser retomado nesta quinta.

“São coisas do nosso país. Vamos aguardar o que vai acontecer”, falou.

Ao tratar de segurança pública, ele avaliou que o tema precisa ser enfrentado de múltiplas maneiras, não somente pela repressão policial, mas com ações sociais, especialmente nas periferias das grandes cidades. Ao comentar a legislação brasileira, disse ser “extremamente leniente”, e defendeu mudanças, especialmente quando à progressão de cumprimento de regimes da pena.

“Permite que um marginal com um sexto da pena cumprida avance para um regime mais progressivo e saia da cadeia e não volte mais”, falou.

Outros pontos citados por Mourão foram a redução da maioridade penal para alguns tipos de crimes, a melhoria do sistema prisional e a separação de presos de acordo com o grau de periculosidade.

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