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Haddad ironiza suspensão do caso Queiroz: "fraquejada"; veja repercussão

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro - Reprodução/SBT
Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro Imagem: Reprodução/SBT

Mirthyani Bezerra e Pedro Graminha

Do UOL, em São Paulo

17/01/2019 14h15Atualizada em 17/01/2019 22h04

O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, que foi candidato do PT à Presidência da República, criticou por meio das suas redes sociais a decisão tomada pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux de suspender a investigação criminal do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) sobre as movimentações financeiras atípicas de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Na postagem, Haddad diz que "O Jr. deu uma fraquejada", referindo-se a Flávio e a uma declaração antiga do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL), de que após ter quatro filhos homens, havia dado uma "fraquejada" com o nascimento de sua quinta filha, uma menina.

Fux, que é vice-presidente do STF e responde por todos os processos durante o plantão judiciário, atendeu a uma reclamação de Flávio Bolsonaro, mas os argumentos não foram divulgados porque o caso corre em sigilo. A suspensão ficará mantida até uma nova análise pelo relator do caso na corte, ministro Marco Aurélio Mello. Ele e os demais ministros retornam do recesso no dia 1º de fevereiro.

Além de Haddad, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, também demonstrou indignação com a decisão de Fux, comparando o caso com o das acusações contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que está preso desde abril do ano passado em Curitiba. "Os pesos e medidas são muito diferentes. Para Lula, basta convicção, para os Bolsonaros nem documento público é considerado", disse no Twitter.

O coordenador do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) e da Frente Povo Sem Medo, Guilherme Boulos, que foi candidato do PSOL à Presidência, também se manifestou, relembrando a frase polêmica dada pelo irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, de que bastaria "um cabo e um soldado" para fechar o STF.

O senador Cristovam Buarque (PPS) questionou o que o ex-juiz Sergio Moro, que foi titular da Lava Jato em Curitiba e hoje é ministro da Justiça e Segurança Pública, acha sobre o assunto. 

O deputado federal eleito Kim Kataguiri (DEM) disse ser "no mínimo, suspeito" o pedido feito por Flávio Bolsonaro ao STF e que ele "cheira muito mal".

O integrante do MBL (Movimento Brasil Livre) retuitou ainda posts feitos pelo vereador de São Paulo Fernando Holiday (DEM), que afirmou ter sido o primeiro a pedir para ser investigado quando surgiram acusações contra ele na imprensa. "Se isso for confirmado, sinceramente, só restam motivos para desconfiança. Quem não deve, não teme. Ainda mais uma simples investigação", disse a publicação retuitada por Kataguiri.

O então candidato à Presidência da República pelo Partido Novo, João Amoêdo, também se manifestou nas redes sociais sobre o ocorrido. "A nova postura que pregamos e esperamos dos políticos é outra: se apresentar para ser ouvido, não utilizar vantagens do cargo e contribuir para a apuração da verdade", escreveu Amoêdo.

O ex-Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, se manifestou com uma série de pontos de interrogação em seu Twitter:

O deputado federal eleito e ex-ministro da cultura de Michel Temer, Marcelo Calero, compartilhou um tweet do comediante Danilo Gentili para comentar o caso: "O Brasil não merecia mais um escândalo neste momento de recomeço. No fundo, é uma tristeza a gente ter essa sensação amarga de que mudaram apenas os personagens, mas o enredo parece assustadoramente semelhante."

Deltan Dallagnol, procurador da República e coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, discordou da decisão de Fux em seu Twitter: "Com todo o respeito ao ministro Fux, não há como concordar com a decisão, que contraria o precedente do próprio STF. Tratando-se de fato prévio ao mandato, não há foro privilegiado perante o STF. É de esperar que o ministro Marco Aurélio reverta a liminar"

Outro procurador que se manifestou nas redes sociais foi Helio Telho. Para o procurador do MPF a decisão do ministro Luiz Fux é "uma afronta a jurisprudência recente do STF sobre a limitação do foro privilegiado". 

A então candidata à Presidência da República e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que o caso Queiroz é um exemplo às avessas do ditado "quem não deve não teme" e que Flávio Bolsonaro pede para suspender a investigação "para ganhar tempo e tentar se esconder atrás do foro privilegiado".

A advogada Janaína Paschoal, deputada estadual de São Paulo filiada ao PSL, partido de Flávio Bolsonaro, disse que Fux equivocou-se em sua decisão: "O precedente que tratou da prerrogativa de foro realmente foi no sentido de que os casos devem ser analisados em concreto; entretanto, os fatos devem ser posteriores ao início do mandato. Não é o caso!"

A reportagem do UOL entrou em contato com a assessoria de imprensa de Flávio Bolsonaro, que disse que não há previsão de um comunicado à imprensa. Também procurada, a defesa de Queiroz ainda não se manifestou.

Em 2017, Bolsonaro criticou foro privilegiado ao lado de Flávio

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