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Militar brasileiro preso na Espanha viajou com Bolsonaro para SP há 4 meses

Reprodução/TV Globo
Avião presidencial no aeroporto de Congonhas após pouso no dia 27 de fevereiro; sargento preso participou da missão que acompanhou Bolsonaro neste dia Imagem: Reprodução/TV Globo

Leandro Prazeres e Vanessa Alves Baptista

Do UOL, em Brasília e em São Paulo

2019-06-26T21:41:02

26/06/2019 21h41

Preso ontem no aeroporto de Sevilha, na Espanha, por suspeita de traficar cocaína, o sargento Manoel Silva Rodrigues havia acompanhado o presidente Jair Bolsonaro (PSL) em viagem de Brasília a São Paulo, em 27 de fevereiro, para exames médicos, após a segunda cirurgia devido ao ataque a faca de que foi vítima na campanha.

Hoje, o presidente chegou a dizer que o episódio ocorrido na Espanha "não tem relação com sua equipe". Mas o Comando da Aeronáutica divulgou nota dizendo que o "sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial".

Desde que se soube da prisão na Europa, o governo divulgou diferentes versões sobre a participação do militar na viagem de Bolsonaro ao Japão - que tinha escala prevista em Sevilha, repentinamente mudada para Lisboa:

Segundo a Follha, Silva Rodrigues fez ao menos 29 viagens no Brasil e no exterior desde 2011, várias delas com o staff presidencial --incluindo os ex-presidentes Michel Temer, Dilma Rousseff e Bolsonaro.

No Portal da Transparência, mantido pelo governo federal, é possível ver que Manoel Silva Rodrigues foi reembolsado em R$ 201 por despesa de viagem em 27 de fevereiro. No campo motivo, a justificativa:

SC - 01.52 TRANSPORTE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL.

Portal da Transparência / Reprodução
"Transporte do presidente da República Federativa do Brasil", diz site do governo sobre viagem de Rodrigues em fevereiro Imagem: Portal da Transparência / Reprodução
Segundo a Aeronáutica, o sargento Silva Rodrigues exerce a função de comissário de bordo em uma aeronave militar VC-2 Embraer 190. Em nota, o Comando da Aeronáutica afirma ter instaurado Inquérito Policial Militar para apurar as circunstâncias do caso e que vai reforçar as medidas de prevenção "a esse tipo de ilícito".

"Esclarecemos que o sargento partiu do Brasil em missão de apoio à viagem presidencial, fazendo parte apenas da tripulação que ficaria em Sevilha. Assim, o militar em questão não integraria, em nenhum momento, a tripulação da aeronave presidencial, uma vez que o retorno da aeronave que transporta o Presidente da República não passará por Sevilha, mas por Seattle (EUA)", diz nota.

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Nesta quarta, o presidente Jair Bolsonaro disse em postagem no Twitter que o militar preso não faz parte de sua equipe e que o comportamento do sargento é "inaceitável".

Segundo o jornal espanhol El País, citando fontes da Guarda Civil espanhola, o sargento estava com 39 kg de cocaína e teria sido detido quando os tripulantes e suas bagagens passaram pelo controle alfandegário na chegada ao aeroporto.

Hoje, os senadores Randolfe Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Wetervon Rocha (PDT-MA) apresentaram requerimento para convidar o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, para prestar esclarecimentos à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado sobre o caso.

Mais cedo, o vice-presidente da República e presidente em exercício, general Antônio Hamilton Mourão (PRTB), disse que o militar deveria estar "exercendo a ilegalidade por dinheiro".

O salário bruto do sargento é de R$ 7.298, segundo o Portal da Transparência. Questionada sobre a defesa do militar, a assessoria da Aeronáutica não informou se ele possui um advogado para comentar a acusação.

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