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Bolsonaro diz que hackers "perderam tempo" com ele: "Sempre tomei cuidado"

Rosiene Carvalho

Colaboração para o UOL, em Manaus

25/07/2019 11h43Atualizada em 26/07/2019 08h44

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse na manhã de hoje em Manaus (AM) que sempre tomou cuidado e não está preocupado com vazamentos de conversas de seu celular. Ele explicou que, se as conversas forem vazadas, nada será encontrado, pois ele não conversa com assuntos estratégicos pelo telefone.

Em nota divulgada mais cedo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que a Polícia Federal informou que celulares usados por Bolsonaro foram alvos de ataques hackers promovidos pelo grupo que foi preso na operação Spoofing, deflagrada na terça-feira. Quatro pessoas foram presas suspeitas de invadirem o celular do ministro da Justiça, Sergio Moro, e de outras autoridades.

Questionado sobre o assunto, Bolsonaro negou preocupação. "Por ser capitão do Exército, sempre tomei cuidado. As informações estratégicas não eram passadas por telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se algo vazar do meu telefone. Não tem nada que comprometa", disse ele. Em sua avaliação, os hackers desperdiçaram tempo ao tentar invadir seus celulares. "Perderam tempo comigo".

"Eu achar que o meu telefone, desde a campanha, não estava sendo monitorado por alguém seria muita, muita infantilidade", afirmou Bolsonaro, após participar de um evento para entrega de medalhas para alunos de um colégio militar.

O presidente citou o exemplo do conflito na Venezuela para explicar sua postura em relação ao uso de celulares. "O que eu vinha tratando com outros chefes de Estado no tocante à Venezuela, isso era tratado pessoalmente." Afirmação que Bolsonaro reafirmou no Twitter pouco depois de sua fala em Manaus.

"Por oportuno, informo que jamais tratei temas sensíveis ou de segurança nacional via celular", disse o presidente, classificando o ocorrido como "um atentado grave contra o Brasil e suas instituições" e pedindo punição aos envolvidos. "O Brasil não é mais terra sem lei."

Na nota divulgada, o Ministério da Justiça não especifica se os celulares de Bolsonaro chegaram a ser invadidos e se algum conteúdo foi obtido pelos invasores. "O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República", disse o órgão.

Prisões

Na terça-feira, a PF prendeu quatro pessoas suspeitas de invadir o celular de Moro e outras autoridades. Os investigadores também apontaram "fortes indicativos" de que o telefone do ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi alvo dos envolvidos. Na noite de segunda, Guedes divulgara que fora alvo de invasão.

Em apresentação realizada na tarde de ontem, a Polícia Federal informou que os supostos hackers atacaram aproximadamente mil telefones celulares e participaram de fraudes bancárias.

Desde 9 de junho, o site The Intercept Brasil publica mensagens que diz terem sido trocadas entre Moro e Dallagnol por meio do Telegram - um aplicativo similar ao WhatsApp.

O site não informa como obteve as mensagens, que foram compartilhadas também com outros veículos de imprensa - incluindo a Folha de S.Paulo e o blogueiro Reinaldo Azevedo, do UOL. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal não confirmaram e nem negaram vínculo entre os suspeitos de serem hackers que foram presos e o pacote de diálogos que foi repassado ao The Intercept Brasil.

Preso confessa ter hackeado celulares

Band News

Meio ambiente

No evento em Manaus, Bolsonaro foi novamente questionado sobre os dados do Inpe (Institito Nacional de Pesquisas Espaciais) e medidas para combater o desmatamento na Amazônia. O presidente lamentou que a pergunta estivesse sendo feita e respondeu:

"Esses números no meu entender não correspondem à realidade. Não podemos ter órgãos no governo, no meu entender, aparelhados com ONGs internacionais. Então, esses dados servem para que alguém na ponta da linha ficar feliz. E nos prejudicar na relação que temos com o mundo. Estamos avançando no Mercosul, no Japão, nos Estados Unidos, Coreia do Sul. Isso nos atrapalha com dados que duvidamos que sejam verdadeiros".

O presidente afirmou que os dados constroem uma imagem errada do país e voltou a falar em "psicose ambiental".

"Quantos palmos de mata ciliar são preservados na Europa? Dois palmos? O Brasil é o País que mais preserva. Tem país na Europa que não tem 1% do que temos aqui. Nós queremos preservar o meio ambiente, mas não queremos entrar numa psicose ambiental", disse.

Bolsonaro afirmou que o Brasil precisa casar desenvolvimento e preservação e disse que os proprietários de terras que desmatam para plantar também são responsáveis pela preservação.

Zona Franca de Manaus

O presidente disse que o ministro da Economia, Paulo Guedes, o acompanhava na agenda para demonstrar o prestígio que a região tem no governo dele.

Questionado sobre declarações de Guedes contrárias a áreas de isenção fiscal como a Zona Franca de Manaus, Bolsonaro citou que algumas palavras são mal entendidas, como a dele em relação ao Nordeste. Na semana passada, ele chamou governadores nordestinos de "governadores de Paraíba".

"É natural do debate você falar algumas coisas e lá na frente dá uma moldagem. É natural. Quando eu cochichei no ouvido de um deputado uma questão do Maranhão, alguém acha que eu ofendi o povo nordestino".

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