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Ministério da Justiça diz que celulares de Bolsonaro foram alvo de hackers

Charly TRIBALLEAU / AFP
Imagem: Charly TRIBALLEAU / AFP

Stella Borges

Do UOL, em São Paulo

25/07/2019 09h46Atualizada em 25/07/2019 12h33

Em nota divulgada nesta manhã, o Ministério da Justiça e Segurança Pública disse que a Polícia Federal informou que celulares usados pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) foram alvos de ataques hackers promovidos pelo grupo que foi preso na operação Spoofing, deflagrada na última terça-feira.

"O Ministério da Justiça e Segurança Pública foi, por questão de segurança nacional, informado pela Polícia Federal de que aparelhos celulares utilizados pelo Presidente da República, Jair Bolsonaro, foram alvos de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça feira (23). Por questão de segurança nacional, o fato foi devidamente comunicado ao Presidente da República", diz o informe.

Duas horas após a divulgação do ministério, Bolsonaro afirmou não estar preocupado com o possível vazamento de diálogos obtidos em seus celulares e que os hackers perderam tempo com ele. "Por ser capitão do Exército, sempre tomei cuidado. As informações estratégicas não eram passadas por telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se algo vazar do meu telefone. Não tem nada que comprometa...Perderam tempo comigo", explicou.

Na terça-feira, a PF prendeu quatro pessoas suspeitas de invadir o celular de autoridades, como o ministro Sergio Moro e o coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, o procurador Deltan Dallagnol.

Em apresentação realizada na tarde de ontem, a Polícia Federal informou que os supostos hackers atacaram aproximadamente mil telefones celulares e participaram de fraudes bancárias.

Os investigadores apontaram "fortes indicativos" de que o telefone do ministro da Economia, Paulo Guedes, também foi alvo dos envolvidos.

"Nós estamos estimando que aproximadamente mil números telefônicos diferentes foram alvo dessa operação por essa quadrilha", disse o coordenador geral de inteligência da Polícia Federal, delegado federal João Vianey Xavier Filho, ao fazer apresentação à imprensa junto com o diretor do Instituto Nacional de Criminalística (INC), Luiz Spricigo Júnior.

Os presos na operação são Danilo Cristiano Marques, Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Walter Delgatti Neto. Segundo a defesa de Elias Santos, Delgatti Neto teria dito ao amigo que a intenção era vender ao PT as mensagens "hackeadas" do celular de Moro.

Uma fonte ligada ao caso que pediu para não ser identificada afirmou que Delgatti Neto admitiu que clonou o telefone de Dallagnol. O caso dele não consta dessa investigação e está sendo tratado pela Polícia Federal no Paraná.

Ontem, Moro parabenizou a ação da PF e afirmou que os presos seriam a fonte dos vazamentos ao site The Intercept Brasil, que desde junho tem publicado reportagens sobre mensagens trocadas entre o juiz e integrantes da força-tarefa da Lava Jato.

Os responsáveis pelo site disseram que não fazem comentários sobre suas fontes. Até o momento, as autoridades que investigam o caso não confirmaram relação entre os detidos e os vazamentos publicados.

"Fortes indícios" de organização criminosa

Na decisão em que determinou a prisão dos suspeitos, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, disse que há "fortes indícios" de que o grupo integra "organização criminosa para a prática de crimes e se uniram para violar o sigilo telefônico de diversas autoridades públicas brasileiras via invasão do aplicativo Telegram".

O inquérito foi aberto para apurar ataques ao celular de Moro e das contas de Telegram do desembargador Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, do juiz Flávio Lucas, da 18ª Vara Federal do Rio de Janeiro, e dos delegados da Polícia Federal em São Paulo Rafael Fernandes e Flávio Reis.

No despacho, o magistrado também afirmou que relatórios apontaram que Gustavo e Suelen tiveram movimentações financeiras incompatíveis com suas rendas.

*Com reportagem de Eduardo Militão e Felipe Amorim, do UOL, em Brasília

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