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Bolsonaro exonerou Cintra por 'discussão pública demais', diz Mourão

Hamilton Mourão, participa da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), no Hotel Renaissance, em São Paulo - Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo
Hamilton Mourão, participa da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), no Hotel Renaissance, em São Paulo Imagem: Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

11/09/2019 19h15

O vice-presidente da República e presidente em exercício, Antônio Hamilton Mourão (PRTB), disse hoje à noite que a demissão do secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, aconteceu por ordem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) após a ideia do imposto sobre transações financeiras se tornar "pública demais".

"Foi decisão do presidente. É a questão do imposto de transação financeira que o presidente Bolsonaro não tem decisão a esse respeito e ele acha que a discussão se tornou publica demais antes de passar por ele", afirmou, ao acrescentar que "o negócio transbordou".

Segundo ele, "talvez" o mérito do projeto de recriar um imposto aos moldes da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) também tenha pesado na decisão de exonerar o secretário especial.

"O presidente não é fã do imposto", disse.

Mourão almoçou hoje com o ministro da Economia, Paulo Guedes. O vice-presidente disse ter conversado com o ministro sobre o imposto, que "compartilhou a angústia com essa situação". Mourão disse que não havia uma decisão de demitir Cintra àquela altura. Guedes ainda aguardava o posicionamento de Bolsonaro.

"O ministro Guedes cumpre as orientações do presidente", respondeu ao ser indagado se Guedes era favorável à exoneração de Cintra.

Mourão elogiou Cintra como "pessoa extremamente comprometida, competente", que defende as próprias ideias. Ele lembrou, porém, que a palavra final de quem está no comando hierárquico é o que vale.

"Isso aí [imposto] tem de ser discutido. [...] Quem vai definir é o Congresso. Acho que todo o desgaste prematuro em torno disso aí não leva a nada, porque tudo vai ser discutido dentro do Congresso. Se o Congresso quiser, vai ocorrer. Se não quiser, não vai ocorrer. Acho que a gente se desgasta prematuramente em alguns assuntos que...né, deixa a turma discutir. Vamos somar os números aí. Vamos chegar à conclusão que é melhor", concluiu.

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