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Invasão à embaixada venezuelana gera elogio de E. Bolsonaro e crítica do PT

Do UOL

Em São Paulo

13/11/2019 10h24Atualizada em 13/11/2019 14h03

A invasão da embaixada da Venezuela, em Brasília, por partidários de líder da oposição do país, Juan Guaidó, gerou críticas do PT e elogios de Eduardo Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro e deputado federal.

O local foi ocupado com a cumplicidade de funcionários do local, informaram fontes diplomáticas e policiais.

O deputado federal do PT Paulo Pimenta registrou em seu canal do YouTube imagens da parte interna da embaixada, e denunciou a invasão - que ocorre no momento em que Brasília é sede da cúpula do BRICS.

"Durante a madrugada, ocorreu uma invasão da embaixada, por um grupo de venezuelanos e de brasileiros ligados a Guaidó e aos americanos", acusou o deputado. "Aqui na embaixada, além de ser a parte administrativa da embaixada, funciona também a ala residencial. Aqui residem vários funcionários da embaixada, e eles foram surpreendidos na madrugada por essa invasão."

Pimenta afirma que os dois acessos foram bloqueados para evitar entrada e saída do local. "Estamos com os venezuelanos, numa situação bastante tensa aqui na embaixada". Um encarregado da embaixada confirma o relato no vídeo, dizendo que a invasão foi feita de forma agressiva, arriscando a segurança de quem estava no local.

Em outro vídeo, Paulo afirma que os invasores estão "uniformizados, portanto não se trata de uma representação civil do povo, é uma milícia contratada para realizar essa invasão do território venezuelano. A violação do território diplomático se constitui de grave violação de direito internacional, sem precedentes". Ele acusa os ocupantes da embaixada de planejarem realizar o ato no dia da reunião do BRICS, para ampliar a repercussão.

A presidente do PT, Gleise Hoffmann, também se manifestou sobre o episódio. "Houve uma invasão violenta, que está sendo denunciada. O mais grave é o apoio e incentivo do governo Bolsonaro, violando convenção internacional", postou a petista nas redes sociais.

Ela ainda criticou o deputado Eduardo Bolsonaro por apoiar a ação. "O criador de confusão, incitador de violência, apoiador de golpes volta à cena pra estimular mais uma ilegalidade e criar confusão internacional. Embaixador é nomeado pelo governo legítimo de cada país e não pelo reconhecimento político de outro governo", postou ela na rede social.

No Twitter, Eduardo Bolsonaro apoiou a invasão da embaixada Venezuela em um post. Ele também compartilhou vídeo de um diplomata supostamente dentro da embaixada e provocou a esquerda.

"Nunca entendia essa situação. Se o Brasil reconhece Guaidó como presidente da Venezuela por que a embaixadora Maria Teresa Belandria, indicada por ele, não estava fisicamente na embaixada? Ao que parece agora está sendo feito o certo, o justo", escreveu ele.

"Esquerdalha foi para a porta da embaixada da Venezuela no Brasil, quero ver é ir para a Venezuela viver como um venezuelano comum", postou, mais tarde.

De acordo com o colunista do UOL Jamil Chade, o post gerou indignação e pânico na diplomacia brasileira.

"Entre embaixadores e diplomatas de alto escalão do Brasil, a mensagem de Eduardo Bolsonaro foi interpretado como uma sinalização de que o governo de seu pai pode não fazer um esforço para retirar os invasores, aliados de Juan Guaidó", informou Chade.

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