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Ex-advogado de Dilma e Temer é manda-chuva em novo partido de Bolsonaro

Admar Gonzaga durante sessão de julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE - Ueslei Marcelino/Reuters
Admar Gonzaga durante sessão de julgamento da chapa Dilma-Temer no TSE Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

30/12/2019 12h57Atualizada em 30/12/2019 12h57

Resumo da notícia

  • Admar Gonzaga recebeu R$ 300 mil para defender chapa Dilma-temer em 2010
  • Alçado por Temer ministro do TSE, ele absolveu a chapa por suspeita de abuso de poder
  • Já advogado de Bolsonaro, ele assumiu a secretaria-geral do Aliança pelo Brasil

O ex-advogado da campanha de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) à Presidência da República em 2010 é um dos principais representantes do Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar após romper com o PSL, sigla que o elegeu em 2018.

O advogado eleitoral Admar Gonzaga recebeu R$ 300 mil da campanha petista em pelo menos cinco transferências entre agosto e outubro de 2010 a título de "serviços prestados por terceiros", segundo o Sistema de Prestação e Contas Eleitorais daquele ano.

A relação envolvendo Dilma, Temer e Gonzaga estreitou-se em 2013, quando ele foi nomeado pela então presidente para o cargo de ministro substituto do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Gonzaga absolveu chapa Dilma-Temer

Em março de 2017, o então presidente Michel Temer promoveu Gonzaga a juiz titular do TSE ao antecipar em duas semanas a escolha do nome que substituiu o então ministro Henrique Neves, que se aposentava. A decisão causou críticas porque em três meses o tribunal julgaria uma ação que poderia cassar a chapa de 2014 de Dilma e Temer.

No julgamento, ocorrido em junho, Gonzaga contrariou o relator, ministro Herman Benjamin, e votou pela absolvição da chapa ao não reconhecer abuso de poder político e econômico na disputa eleitoral de 2014.

O julgamento, que terminou com a absolvição da chapa por um placar e 4 votos a 3, rejeitou a acusação de que a campanha pagou mas não comprovou a prestação de serviços gráficos. Outra suspeita rejeitada dizia que a chapa recebeu dinheiro de propina obtida em contratos da Petrobras.

No dia do julgamento, o Ministério Público Eleitoral chegou a pedir que Gonzaga fosse impedido de votar justamente por ter sido advogado da campanha de Dilma em 2010.

"Não está em jogo aqui uma causa das eleições de 2010, que advoguei, fiz com todo o meu esforço, como fiz em outras campanhas, para outros partidos, e daqui quando sair, respeitada a quarentena, o farei", afirmou na época.

Ele chegou a dizer que o MP agia com "astúcia", "uma espécie de constrangimento que eu não merecia".

Secretário-geral do Aliança pelo Brasil

Gonzaga já era o advogado de Bolsonaro quando foi indicado para assumir o cargo de secretário-geral da comissão provisória da Aliança pelo Brasil. Ele foi o responsável por entregar, em 4 de dezembro, o requerimento de registro da legenda que o presidente planeja criar.

"Temos a expectativa de em um mês ter um milhão de assinaturas. Na verdade, não estamos nem buscando apoiamentos, estamos buscando meio de processar os que já têm. Eles já existem e são bastante expressivos", afirmou Gonzaga na época.

Procurado, o advogado não respondeu à reportagem até a última atualização deste texto.

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