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Bolsonaro não trata ICMS com "seriedade" e "responsabilidade", diz Doria

João Doria esteve em Brasília hoje; uma das pautas discutidas por ele foi o novo Marco Regulatório do Saneamento Básico - Luciana Amaral/UOL
João Doria esteve em Brasília hoje; uma das pautas discutidas por ele foi o novo Marco Regulatório do Saneamento Básico Imagem: Luciana Amaral/UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

05/02/2020 13h11Atualizada em 05/02/2020 13h57

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não trata do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) com a "seriedade" e a "responsabilidade" exigidas, afirmou hoje o governador de São Paulo, João Doria.

Mais cedo, Bolsonaro lançou um "desafio" e, em tom de bravata, disse que vai derrubar impostos federais sobre combustíveis se os governadores "zerarem" o ICMS.

O presidente não explicou como o governo poderia compensar a perda de receita dos estados e a sua própria. A arrecadação do ICMS é hoje fundamental para as contas dos governadores e, considerando o cenário de aperto orçamentário, tal medida seria improvável.

"Os estados estão tratando o assunto com seriedade e responsabilidade. Responsabilidade fiscal e, obviamente, institucional. Não parece o caminho do presidente Jair Bolsonaro. Isso não pode ser tratado de forma irresponsável nem de forma açodada. É preciso ter um entendimento", declarou Doria.

Doria disse que nenhum governador foi convidado a debater o tema por Bolsonaro até o momento. Ele avaliou que a atitude demonstra "não haver interesse em um entendimento".

"Na base da bravata...bravata me lembra populismo, que me lembra algo ruim para o Brasil. Se o presidente está tão entusiasmado, tão motivado, ele que faça o primeiro gesto. Que elimine os impostos sobre o combustível e, aí sim, os governadores vão avaliar o ICMS", disse.

Para Doria, o comportamento de Bolsonaro "não é o adequado a um presidente da República" ao jogar no colo dos governadores a responsabilidade sobre o preço dos combustíveis uma vez que o governo federal tem a incidência maior dos impostos.

Nos últimos meses, Bolsonaro e Doria começaram a travar uma guerra implícita já visando a disputa presidencial de 2022. Questionado se o presidente estaria tomando esse posicionamento com objetivo eleitoral, o governador preferiu minimizar e disse ser questão "institucional e técnica".

No entanto, ao final, aproveitou para alfinetar o constante uso de redes sociais e aplicativos de mensagens por Bolsonaro.

"Entendimento se faz reunindo, agrupando. Não se faz por WhatsApp. Não conheço governo por WhatsApp", falou.

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