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Governadores reafirmam convite a Bolsonaro; Doria cobra 'humildade'

CEO Conference Brasil 2020, mediado pelo jornalista Augusto Nunes - Alan Teixeira/Divulgação
CEO Conference Brasil 2020, mediado pelo jornalista Augusto Nunes Imagem: Alan Teixeira/Divulgação

Marcelo Freire

Colaboração para o UOL, em São Paulo

18/02/2020 18h27

Os governadores João Doria (PSDB-SP), Wilson Witzel (PSC-RJ) e Eduardo Leite (PSDB-RS) reiteraram hoje um convite para encontrar Jair Bolsonaro (sem partido) para discutir as questões expostas na carta "em defesa do pacto federativo", assinada por 20 governadores de estado e crítica ao presidente da República.

Na carta, os governadores citam falas de Bolsonaro e apontam que o presidente adota uma postura confrontadora com os comandantes do Estado, "ora envolvendo a necessidade de reforma tributária, sem expressamente abordar o tema, mas apenas desafiando governadores a reduzir impostos vitais para a sobrevivência dos Estados, ora se antecipando a investigações policiais para atribuir fatos graves à conduta das polícias e de seus governadores".

Doria, Witzel e Leite, signatários da carta, participaram nesta terça do evento CEO Conference 2020, promovido pelo banco BTG Pactual em São Paulo, e convidaram o presidente para um encontro.

"Fizemos um convite aberto para que ele compareça ao Fórum dos Governadores logo após o Carnaval. Ele será bem-vindo. Se não puder ir, que nos convide, e iremos para o Planalto para o diálogo", afirmou Doria na entrada do evento.

O governador de São Paulo, apontado como potencial rival do presidente na eleição de 2022, foi o crítico mais contundente de Bolsonaro. No fim de sua participação em um painel ao lado de Witzel e Leite, Doria pediu que o presidente tivesse humildade.

"Se a relação com o presidente fosse boa, com diálogo, não teríamos 20 governadores protestando. Eu nunca vi governar por WhatsApp. Talvez seja uma forma inovadora que o Brasil esteja lançando agora, fazer governo por WhatsApp", ironizou.

"Entendo que o presidente Bolsonaro precise de uma boa dose de humildade e reconhecer que ele foi eleito em todo o Brasil e governa para todos os brasileiros, e isso significa dialogar com todos os governadores que, como ele, também foram eleitos pelo voto popular soberano e livre", declarou Doria.

Mais cedo, o governador de São Paulo havia condenado ao insulto de Bolsonaro à jornalista da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello proferido nesta terça-feira. "Considero muito desrespeitosa a atitude do presidente, mais uma vez em relação aos jornalistas e em especial a uma jornalista mulher. Desrespeitosa, inadequada e condenável a atitude do presidente", disse Doria.

Já Witzel disse ter sido "vítima de acusações levianas do presidente Bolsonaro". "Fui acusado de manipular o Judiciário, o Ministério Público, coisa que jamais faria, por princípios pessoais", afirmou.

Ele também chamou de "bravata" o desafio de Bolsonaro aos governadores que extinguissem o ICMS, imposto estadual que incide nos combustíveis, e afirmou ter ficado "perplexo" com as acusações de Bolsonaro contra o governador baiano, Rui Costa (PT).

Witzel, no entanto, disse ter "apreço" pelo presidente. "Quero que ele faça um bom governo, e queremos ajudá-lo. Precisamos de diálogo", declarou o governador do Rio de Janeiro.

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