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No Exército, ordem é reforçar imagem e evitar associação a Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército  - Marcos Corrêa/PR
O presidente Jair Bolsonaro, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército Imagem: Marcos Corrêa/PR

Carla Araújo

Colaboração para o UOL, em Brasília

20/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • General que assumiu a Casa Civil diz que Forças Armadas não estão no governo
  • Associação direta do Exército com imagem do governo causa desconforto entre militares
  • Preocupação é eventuais desgastes do governo possam respingar na instituição

Que a chegada do general Walter Souza Braga Netto, que assumiu a Casa Civil, fortalece a ala militar no governo, é um consenso dentro e fora do Planalto. Apesar disso, no quartel-general do Exército, em Brasília, onde fica o comandante general Edson Leal Pujol, a ordem é reforçar o trabalho de instituição de Estado e não associar sua imagem ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

O general Braga Netto, que vai para a reserva em junho, disse ao UOL que há uma separação institucional entre a Presidência e as Forças Armadas. "As Forças Armadas são instituições de Estado e, portanto, não estão no governo. Dedicam-se ao cumprimento de suas missões constitucionais, e isso não muda pelo fato de haver militares servindo ao governo", afirmou.

Desde que chegou ao comando do Exército, em janeiro do ano passado, pouco depois de Bolsonaro assumir a Presidência, Pujol deu ordens às tropas para que se voltassem para o fortalecimento da instituição. De forma reservada, militares da ativa reconhecem que há um desgaste para a Força por essa ligação com o governo.

Na caserna, uma das preocupações destacadas é que desgastes do governo possam respingar na instituição. O Exército, por exemplo, é municiado por pesquisas que mostram que sua aprovação pela sociedade é da faixa de 80%.

"O erro do governo talvez seja o excesso de vezes que recorre às Forças Armadas para tentar solucionar problemas pontuais. Há excelentes quadros entre os militares, mas não se pode misturar as atividades", afirma um general ouvido pela reportagem.

Segundo outro general que despacha no Planalto, o fato de Braga Netto ainda pertencer à ativa se deve "a uma conjuntura do momento" e não a uma decisão do presidente de atrelar sua imagem à do Exército. "Se ele já estivesse na reserva também seria chamado", disse. Além disso, uma fonte do Ministério da Defesa destacou que Braga Netto passará para reserva em junho e é um "quadro excelente que estaria à disposição".

O atual chefe da Casa Civil conhece o presidente Bolsonaro há anos e seu nome foi apoiado pelo ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), também é general da ativa, e pelo ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva.

O ministro da Defesa, conforme a Constituição é o chefe das Forças Armadas, que institucionalmente são subordinadas ao presidente da República. Apesar disso, sempre que pode o general reforça a importância das Forças Armadas serem independentes.

Segundo uma fonte do Exército, a presença de militares no governo não interfere institucionalmente. "O funcionamento do Alto Comando tem isso muito claro", disse.

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