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Cinco vezes em que Bolsonaro contrariou Mandetta e desrespeitou isolamento

Jair Bolsonaro (à esq.) e o ministro Luiz Henrique Mandetta participam de entrevista sobre o coronavírus - ADRIANO MACHADO
Jair Bolsonaro (à esq.) e o ministro Luiz Henrique Mandetta participam de entrevista sobre o coronavírus Imagem: ADRIANO MACHADO

Felipe Amorim

Do UOL, em Brasília

10/04/2020 19h25

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem dado repetidos exemplos de desrespeito às orientações das autoridades de saúde para que as pessoas mantenham o distanciamento social como prevenção a uma explosão no número de casos do novo coronavírus.

Desde o último dia 15 de março, dois dias antes de o Brasil registrar a primeira morte pelo coronavírus, Bolsonaro tem andado por Brasília, cumprimentado apoiadores e parado para tirar fotos com as pessoas. O coronavírus pode ser transmitido pelo contato com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse e catarro.

Já foram ao menos cinco as vezes em que Bolsonaro passeou por Brasília ou encontrou apoiadores em situações onde havia a aglomeração de pessoas.

  • 15 de março: Bolsonaro foi ao encontro de manifestantes que se aglomeravam em frente ao Palácio do Planalto, trocou apertos de mão com seguidores e pegou celulares de apoiadores para fazer selfies. O presidente também elogiou os atos que ocorreram em ao menos 13 capitais do país em apoio ao governo e carregados de críticas ao Congresso e ao STF (Supremo Tribunal Federal).
  • 29 de março: o presidente saiu às ruas do Distrito Federal para falar com ambulantes e visitar pontos comerciais que seguem abertos, como uma farmácia, uma padaria e um supermercado. O presidente passou pelas regiões de Ceilândia, Sobradinho, Taguatinga e Sudoeste. No percurso, Bolsonaro conversou com trabalhadores informais e defendeu o fim do isolamento social. "Agora, vai condenar esse cara a ficar dentro de casa? Ele não tem poupança, não tem renda", disse o presidente.
  • 5 de abril: Bolsonaro foi ao encontro de religiosos que rezavam em frente ao Palácio da Alvorada, apertou a mão e abraçou um pastor. Mas não atendeu a pedidos para tirar fotos com os fiéis: "Eu vou ser esculhambado pela imprensa", disse a uma mulher. As orações foram motivadas pelo dia de jejum religioso contra o coronavírus convocado por Bolsonaro e grupos evangélicos.
  • 9 de abril: o presidente foi a uma padaria de Brasília onde comeu um sonho no balcão, apertou a mão, abraçou e tirou fotos com apoiadores. Decreto do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), proíbe que alimentos sejam consumidos no local para evitar aglomerações.
  • 10 de abril: Bolsonaro aproveitou a Sexta-feira Santa para fazer mais um passeio por Brasília. O presidente passou pelo HFA (Hospital das Forças Armadas), parou em uma farmácia, onde tirou fotos com apoiadores e, por fim, visitou o filho Jair Renan, em um prédio no Sudoeste. "Ninguém vai tolher meu direito de ir e vir", ele afirmou a jornalistas.

Isolamento e economia

As atitudes do presidente estão na contramão do que tem orientado o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. O ministro tem pedido que as pessoas mantenham medidas de distanciamento social e sigam as orientações dos governadores.

Bolsonaro tem sido um crítico de restrições impostas pelos governos locais, como o fechamento de parte do comércio. O presidente diz que essas medidas terão um impacto negativo na economia e vão reduzir a renda dos mais pobres.

O distanciamento social é apontado pelo Ministério da Saúde como a principal medida que pode ser adotada neste momento para evitar o colapso do sistema de saúde, que pode ocorrer se houver uma escalada repentina no número de pacientes com necessidade de internação.

Críticas aos governadores

Em pronunciamento nacional na última quarta-feira (8), Bolsonaro voltou a adotar tom crítico às medidas de governadores e prefeitos que suspenderam o funcionamento do comércio e outras atividades econômicas.

Em entrevistas, o ministro Luiz Henrique Mandetta tem repetido a recomendação sobre a importância do distanciamento social e orientou as pessoas a seguirem as medidas impostas pelos governos locais.

Nesta semana o presidente chegou a avaliar a possibilidade de demissão do ministro mas, após reunião entre eles no Planalto, Mandetta afirmou que permanece no cargo.

Bolsonaro e Mandetta devem voltar a se encontrar nesse sábado (11), quando está prevista visita do presidente ao hospital de campanha que está sendo montado em Águas Lindas (GO) para atender pacientes com o coronavírus.

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