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Eduardo Bolsonaro acusou Lula e Dilma de "tentar controlar a PF" em 2016

Eduardo Bolsonaro teve seu gabinete ligado a investigação de ataques virtuais pela CPMI das Fake News - Mateus Bonomi/AGIF
Eduardo Bolsonaro teve seu gabinete ligado a investigação de ataques virtuais pela CPMI das Fake News Imagem: Mateus Bonomi/AGIF

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

24/04/2020 16h06

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL), terceiro filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), acusou em 2016 Governo Dilma (PT) de tentar controlar a atuação da Polícia Federal por meio de uma troca de ministro da Justiça. "A cadeia é logo ali", chegou a escrever o deputado (veja o tweet mais abaixo).

Na ocasião, em meio à crise política causada pela Operação Lava Jato, o ministro José Eduardo Cardozo deixou o cargo de ministro da Justiça à disposição da presidente Dilma Rousseff. Ele alegou "uma série de desgastes, seja pessoal ou político" após pedir demissão e acabou assumindo a Advocacia-Geral da União (AGU).

O deputado Eduardo Bolsonaro então reagiu no Twitter. "A cadeia é logo ali. Lula, Dilma e PT tentarão controlar PF através de novo ministro da justiça", escreveu na legenda de uma capa do jornal "O Estado de S. Paulo".

A Polícia Federal e a Lava Jato também são protagonistas na atual crise no Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Em pronunciamento feito na manhã de hoje, o ex-juiz Sergio Moro anunciou sua demissão e acusou Jair Bolsonaro de cometer "interferência política" na PF ao exonerar Maurício Leite Valeixo do cargo de diretor-geral da instituição.

Em seu pronunciamento, Moro inclusive avaliou de forma positiva os governos anteriores quanto à independência da Polícia Federal. "O governo da época tinha inúmeros defeitos, crimes gigantescos de corrupção, mas foi fundamental a manutenção da autonomia da PF para que fosse possível realizar esse trabalho. Seja de bom grado ou seja pela pressão da sociedade, essa autonomia foi mantida e isso permitiu que os resultados fossem alcançados", disse o ex-ministro.

Questionado sobre a semelhança entre a acusação que fez ao Governo Dilma e 2016 e a acusação feita por Moro a seu pai, Jair Bolsonaro, o deputado não respondeu até a publicação deste texto.

O deputado ainda não se pronunciou sobre a saída de Sergio Moro do governo. Quanto a Valeixo, disse que "saiu a pedido próprio", algo que o ex-ministro negou em seu pronunciamento.

O deputado tem, ele próprio, uma relação particular com a Polícia Federal. Ele foi escrivão da PF durante cinco anos, em quatro postos diferentes da instituição — em Guajará-Mirim (RO), Guarulhos (SP), São Paulo e Angra dos Reis (RJ) — até ser eleito para seu primeiro mandato na Câmara, em 2015.

Eduardo Bolsonaro está envolvido em investigação feita pela CPMI das Fake News. Segundo documentos que o Facebook enviou ao Congresso, um perfil da rede social usado para ataques virtuais foi registrado com o telefone do secretário parlamentar de Eduardo, seu xará Eduardo Guimarães.

O e-mail usado no cadastro é "eduardo.gabinetesp@gmail.com", o mesmo endereço utilizado oficialmente pela assessoria de Eduardo Bolsonaro para comprar passagens e reservar hotéis para o deputado, como mostra a prestação de contas disponível no site da Câmara dos Deputados.

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