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PGR solicita investigação sobre agressões a jornalistas em manifestação

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Do UOL, em São Paulo

04/05/2020 15h23Atualizada em 04/05/2020 16h15

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou hoje a apuração das agressões sofridas por jornalistas do jornal O Estado de S. Paulo durante ato pró-Bolsonaro realizado ontem na Praça dos Três Poderes, em Brasília. A manifestação pedia, entre outras bandeiras, o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal), o que é inconstitucional.

"Tais eventos, no entender deste procurador-geral da República, são dotados de elevada gravidade, considerada a dimensão constitucional da liberdade de imprensa, elemento integrante do núcleo fundamental do Estado Democrático de Direito", diz Aras no ofício enviado hoje à procuradora-geral de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MP/DFT), Fabiana Costa Oliveira Barreto.

"Em razão disso, observadas as eventuais condições de procedibilidade (art. 88 da Lei 9.099/1995), solicito a vossa excelência a adoção das providências necessárias à apuração dos fatos e responsabilização criminal dos seus autores."

De acordo com informações publicadas no site do jornal, quatro jornalistas foram agredidos durante o protesto. O fotógrafo Dida Sampaio foi empurrado duas vezes e recebeu chutes e murros.

O motorista do jornal, Marcos Pereira, recebeu uma rasteira dos manifestantes que gritavam frases como "fora Estadão". Ambos precisaram deixar o local escoltados pela polícia.

Outros dois repórteres, Júlia Lindner e André Borges, foram agredidos verbalmente.

No ofício, Augusto Aras ressalta que as agressões aconteceram no Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

"Chegou ao conhecimento desta Procuradoria-Geral da República que, na data de ontem, 3 de maio de 2020, Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, profissionais jornalistas foram agredidos em manifestação popular ocorrida em frente ao Palácio do Planalto, fato amplamente divulgado nos veículos de comunicação."

Hoje, o presidente Jair Bolsonaro colocou em dúvida as agressões, apesar de estarem registradas em vídeo, e declarou que se houve violência, foi por parte de infiltrados entre os manifestantes.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido. Os ministérios contam com alta participação de militares. Bolsonaro coloca seu alinhamento político à direita e entre os conservadores nos costumes.