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Araújo culpou China por coronavírus em reunião citada por Moro, diz site

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao lado do presidente Jair Bolsonaro -  Marcos Corrêa/PR
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ao lado do presidente Jair Bolsonaro Imagem: Marcos Corrêa/PR

Do UOL, em São Paulo

11/05/2020 08h26Atualizada em 11/05/2020 09h33

Citada por Sergio Moro nos últimos dias, a reunião do governo ocorrida no fim de abril - cujo vídeo foi entregue pelo Planalto ao STF (Supremo Tribunal Federal) na última sexta-feira (8) - teve uma intervenção de Ernesto Araújo, ministro das Relações Exteriores. A informação é do jornal O Globo.

Segundo a jornalista Bela Megale, o chanceler brasileiro culpou a China pela pandemia do coronavírus e chegou a apelidar o caso como "comunavírus", arrancando gargalhadas do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Publicamente, Araújo já chegou a usar esse termo.

Na conversa, o ministro também teria dito que os chineses desejavam dominar outros países após a disseminação da covid-19 pelo mundo.

Em outro momento da reunião, de acordo com a colunista do UOL Thaís Oyama, foi a vez de o ministro da Educação, Abraham Weintraub, chamar a atenção ao xingar o STF, dizendo que os 11 membros da Corte são filhos da p***.

Entenda o caso

A reunião de 22 de abril foi citada por Moro em depoimento, porque o ex-ministro disse que, nela, o presidente Jair Bolsonaro ameaçou demiti-lo por causa da resistência à troca no comando da Polícia Federal.

Dias depois, Bolsonaro manteve sua ideia e exonerou Maurício Valeixo do cargo, o que motivou a saída do ex-juiz com acusações de interferência presidencial na PF.

Na semana passada, o novo advogado-geral da União, José Levi, havia pedido para não entregar o vídeo integral sob a alegação de que na reunião "foram tratados assuntos potencialmente sensíveis e reservados de Estado, inclusive de Relações Exteriores, entre outros".

A defesa de Moro, ao saber disto, enviou uma manifestação ao STF para solicitar que o governo tenha que entregar o vídeo na íntegra "em razão de sua importância" para a investigação do caso.

As imagens foram disponibilizadas pelo governo ao STF na última sexta e estão sob sigilo, determinado pelo relator do caso, ministro Celso de Mello. O decano autorizou que, por enquanto, apenas a PGR (Procuradoria-Geral da República) e as defesas de Moro e Bolsonaro tenham acesso ao vídeo. Ele comunicou que só decidirá sobre a manutenção ou não do sigilo após uma manifestação da Procuradoria.

O governo Bolsonaro teve início em 1º de janeiro de 2019, com a posse do presidente Jair Bolsonaro (então no PSL) e de seu vice-presidente, o general Hamilton Mourão (PRTB). Ao longo de seu mandato, Bolsonaro saiu do PSL e ficou sem partido até filiar ao PL para disputar a eleição de 2022, quando foi derrotado em sua tentativa de reeleição.