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Paulo Marinho leva à PF reserva de sala, mas hotel já descartou imagens

O empresário Paulo Marinho, agora ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que Flávio Bolsonaro tinha conhecimento prévio da operação Furna da Onça - Ricardo Borges/UOL
O empresário Paulo Marinho, agora ex-aliado do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que Flávio Bolsonaro tinha conhecimento prévio da operação Furna da Onça Imagem: Ricardo Borges/UOL

Gabriel Sabóia

Do UOL, no Rio

20/05/2020 13h17Atualizada em 20/05/2020 16h42

Resumo da notícia

  • O empresário apresenta hoje à PF reserva de sala de reunião em hotel de SP
  • Marinho diz ter se reunido com advogados sobre vazamento da Furna da Onça
  • Mas a defesa dele não conseguiu imagens de quem teria ido à reunião
  • O hotel já apagou as imagens de segurança de 14 de dezembro de 2018
  • Marinho diz que Flávio Bolsonaro relatou a ele ter sido alertado sobre operação
  • Flávio diz que Marinho, suplente do senador, o ataca porque quer sua vaga

O empresário Paulo Marinho apresenta na tarde de hoje à Polícia Federal os comprovantes de reserva de uma sala de reunião e estadia no Hotel Emiliano, nos Jardins, região nobre de São Paulo, no dia 14 de dezembro de 2018. No entanto, a defesa dele não conseguiu reunir as imagens de segurança do hotel, que já havia descartado os registros em vídeo de entrada e saída de pessoas na data em questão.

Marinho chegou no começo da tarde à Superintendência da PF no centro do Rio para prestar depoimento. Ele diz ter se reunido no hotel de SP com os advogados Ralph Hage Vianna, Antônio Pitombo e Victor Alves (que trabalha até hoje com o senador Flávio Bolsonaro), além do ex-ministro Gustavo Bebianno, morto em março deste ano. Segundo o empresário, na ocasião teria ocorrido a segunda reunião para tratar de suposto vazamento envolvendo a Operação Furna da Onça.

Com as imagens, o empresário esperava comprovar quem esteve presente no encontro. Porém, fontes ligadas ao empresário e funcionários do hotel informaram ao UOL que o único registro da reunião é uma Ordem de Serviço emitida naquela data para reserva da sala de videoconferência da unidade informando a presença de até seis pessoas, sem especificar quem seriam os convidados.

"Não há necessidade de se identificar para chegar à sala de reunião. A solicitação de identidade é feita apenas para acesso aos quartos", diz um dos recepcionistas do hotel da rua Oscar Freire.

Após denúncia, Marinho é ouvido por PF e MPF

A intimação aconteceu após o empresário —que é suplente de Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Senado— ter declarado ao jornal Folha de S.Paulo que o filho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi alertado com antecedência pela PF sobre a Operação Furna da Onça, que prendeu deputados da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro). O filho mais velho não era, contudo, alvo da ação da Lava Jato.

Em razão dos fatos narrados na entrevista, a corregedoria da PF abriu um inquérito que também deve ouvir policiais federais e delegados para apurar os fatos.

O MPF (Ministério Público Federal), que participa do depoimento de hoje, também abriu um procedimento investigatório criminal e pediu o desarquivamento do inquérito policial para apurar supostos vazamentos da Furna da Onça. Há dois anos, o caso foi arquivado depois que a própria PF considerou não ter evidências.

A denúncia de Paulo Marinho

Segundo o empresário, que apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência e hoje é pré-candidato do PSDB à Prefeitura do Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro teria sido avisado da existência da operação entre o primeiro e o segundo turnos das eleições por um delegado da Polícia Federal que era simpatizante da candidatura de Jair Bolsonaro.

De acordo com o que relatou à Folha, os policiais teriam segurado a operação, então sigilosa, para que ela não ocorresse no meio do segundo turno, evitando prejuízo à então candidatura de Bolsonaro.

A Operação Furna da Onça tornou público relatório do antigo Coaf que aponta movimentação atípica na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. O documento também apresenta indícios da prática de rachadinha no gabinete do filho mais velho de Jair Bolsonaro.

O delegado-informante teria aconselhado ainda Flávio a demitir Queiroz e uma das filhas dele, Nathália Queiroz, que trabalhava no gabinete de deputado federal de Jair Bolsonaro em Brasília.

Em nota, Flávio Bolsonaro disse que Marinho, ex-aliado da família Bolsonaro, se deixou tomar pela ambição e o acusou de querer sua vaga no Senado.

"O desespero de Paulo Marinho causa um pouco de pena. Preferiu virar as costas a quem lhe estendeu a mão. Trocou a família Bolsonaro por Doria e Witzel, parece ter sido tomado pela ambição. É fácil entender esse tipo de ataque ao lembrar que ele, Paulo Marinho, tem interesse em me prejudicar, já que seria meu substituto no Senado", afirmou Flávio, em nota à imprensa.

Errata: o texto foi atualizado
Alerj não é Assembleia Legislativa de São Paulo. É a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A informação foi corrigida.

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