PUBLICIDADE
Topo

Política

Bolsonaro diz que 'falou com o coração' e critica divulgação total de vídeo

O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília - Adriano Machado
O presidente Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Adriano Machado

Mariana Gonzalez e Patrick Mesquita

Do UOL, em São Paulo

22/05/2020 18h58Atualizada em 22/05/2020 22h06

Horas depois que o STF divulgou a versão completa do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, o presidente Jair Bolsonaro lamentou que a gravação tenha sido divulgada sem cortes e justificou "palavras inadequadas" dizendo que "falou com o coração".

"Nossa posição, desde o começo, era para que fossem divulgados apenas trechos que tivessem correlação com o inquérito. Não seriam mais de dois minutos, quando eu falo das inteligências e da segurança da minha família, que é feita pela GSI e PF, fora isso não tem nada a ver com Sergio Moro", disse Bolsonaro, em entrevista à Jovem Pan.

Bolsonaro disse que o Planalto "teve o cuidado" de pedir que alguns trechos fossem cortados para evitar "mal-estar com outros países" — as falas retidas pelo Supremo se referiam à China e ao Paraguai, segundo a CNN.

O presidente continuou: "É uma reunião em que eu posso falar com coração o que eu sinto. O que eu sempre procuro transmitir, até com palavras inadequadas, é algo reservado, que compete a nós. Por isso, eu acho que não deveria ser divulgado. Tem palavrão? Tem. Lamento, quem não quiser, que vote em um engomadinho no futuro, que não fala palavrão mas mete a mão no bolso de todo mundo".

Em trecho do vídeo, o presidente chega a xingar os governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro, chamando João Doria de "bosta" e Wilson Witzel de "estrume".

Ainda sobre as palavras de baixo calão usadas durante a reunião, o presidente disse que "não está preocupado com reeleição".

"Foi uma reunião reservada, não era para ser divulgada. Em uma entrevista para você, eu não falaria assim. Agora, se divulga uma fita que estava aqui por nós classificada como secreta, a responsabilidade passa para o Celso de Mello", falou.

Ele negou que o vídeo apresente evidências sobre sua interferência na Polícia Federal.

"Qual é o ponto que eu interfiro na Polícia Federal? O senhor Sergio Moro deve estar revoltado. Não tem nada, isso é o que interessa. Qual ponto do vídeo eu digo que tem que trocar o diretor-geral? Mais um tiro na água, mais uma farsa como tantas outras", afirmou.

'Para nós, vídeo era secreto'

Mais tarde, em entrevista a jornalistas, Bolsonaro explicou que, para ele e os ministros, o conteúdo do vídeo era secreto e, portanto, não seria divulgado posteriormente. Segundo o presidente, a responsabilidade pelo conteúdo da reunião ministerial é do ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal).

"Quem suspendeu o sigilo foi o senhor Celso de Mello, então a responsabilidade pela divulgação de tudo que está naquele vídeo e que não tem a ver com o inquérito é do senhor Celso de Mello", afirmou. "Nenhum ministro meu tem responsabilidade pelo que foi falado. Foi uma reunião reservada, não foi aberta. E essa sempre foi a nossa prática."

'Jamais pegarão meu telefone'

Bolsonaro disse que não entregará seu celular à Justiça se assim for determinado. Ele disse que o ministro Celso de Mello, do STF, "pecou" ao enviar à Procuradoria Geral da República pedido de apreensão de seu celular.

"Acham que eu sou um rato para entregar meu celular nessas circunstâncias?", questionou. "Como eu vou entregar um celular em que eu falo com líderes mundiais? Alguns falam que é praxe, eu não sou diferente de ninguém, a lei me atinge, mas sou presidente da República e vou lutar pelo meu país. Eu farei valer a posição do presidente. Jamais pegarão meu telefone. Seria uma afronta".

Bolsonaro afirmou que o país tem "três poderes diferentes" e que, por isso, não cabe ao STF ter acesso ao dispositivo.

"Um ministro do STF querer um telefone do presidente da República, que tem contato com alguns líderes do mundo, por conta de fake news? Tá de brincadeira. Tá na cara que eu jamais entregaria o celular. Estaria sendo criada uma crise institucional. A troco do quê? Qual é o próximo passo? Dar uma canetada e dizer que não sou mais presidente?", afirmou.

'Minha vida acabou no Brasil'

O presidente afirmou que "sua vida acabou" no país — e não por conta do vídeo divulgado pelo STF.

"Minha vida acabou no Brasil, e não é por causa desse vídeo. Não vou ter paz para mais nada. Não faltam pessoas que querem me executar por aí. Nós interferimos em grupos poderosos, até internacionais, que não querem que o Brasil vá para frente", falou.

Bolsonaro voltou a fazer críticas à esquerda e disse que "muitos ministros" não têm "malícia política": "[O Brasil] é um campo fértil de fome e miséria para esses caras de esquerda fazerem suas vontades, saqueando supermercados. O defeito de muitos ministros é não ter malícia política".

Política