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Empresário preso pagou R$ 225 mil a secretário braço-direito de Witzel

Lucas Tristão, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio - Caio Blois/UOL
Lucas Tristão, secretário de Desenvolvimento Econômico do Rio Imagem: Caio Blois/UOL

Caio Blois

Do UOL, no Rio

26/05/2020 15h51

Decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que deflagrou hoje operação contra alvos do governo Wilson Witzel menciona a relação entre Lucas Tristão, secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e braço-direito do governador Wilson Witzel (PSC), com o empresário Mário Peixoto, preso em um desdobramento da Lava-Jato no Rio. Empresas de Peixoto fizeram depósitos de R$ 225 mil para o escritório de advocacia de Tristão, segundo consta na decisão.

Ex-aluno de Witzel e advogado especializado no setor empresarial, Lucas Tristão é apontado como o elo entre o governador e o empresário, que possui diversos contratos com o governo desde a gestão de Sérgio Cabral, hoje preso em Bangu 8, no Complexo Penitenciário de Gericinó.

Segundo consta na decisão do STJ, investigação aponta que o elo entre Tristão e suposta "organização criminosa chefiada por Mario Peixoto" teria como base uma interceptação telefônica e a transferência de R$ 225 mil na conta do escritório de Tristão, oriundos das empresas de Peixoto.

Por meio de nota, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico informou hoje que a "quantia mencionada foi recebida em 2018 por serviços prestados pelo escritório de Lucas Tristão". Segundo a pasta, Tristão não exerce a advocacia desde janeiro do ano passado, quando se afastou das atividades profissionais ao ser nomeado secretário de Estado.

As empresas de Peixoto administram serviços diversos para o poder público —limpeza, segurança, contabilidade e gestão operacional estão entre as suas atividades.

Na semana passada, Tristão já havia afirmado que advogara para Peixoto. "Fui advogado do Mário Peixoto, mas não advogo para mais ninguém desde 1º de janeiro de 2019. Agora trabalho em favor do interesse social da política e economia do Rio. O vínculo profissional virou de amizade, mas nunca tratei a coisa pública com improbidade. A minha idoneidade nunca foi posta em dúvida. Não sou investigado nem suspeito", declarou, em coletiva na última quarta-feira (20).

Dez dos 12 mandados da Operação Placebo, que investiga indícios de desvios de recursos públicos enquanto vigora o estado de emergência de saúde pública em decorrência da pandemia de coronavírus, foram cumpridos no Rio na manhã de hoje, incluindo ações no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador, e sua residência pessoal, no Grajaú, zona norte da capital fluminense.

Durante sua campanha, Witzel foi questionado diversas vezes sobre a ligação com Mário Peixoto, o que sempre negou. Advogado dos dois, Lucas Tristão foi alçado ao status de "supersecretário" pela estreita ligação com o governador. A sua pasta passou a abarcar diversos assuntos, tornando-se a nova Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Emprego e Relações Internacionais.

Foi justamente em uma interceptação telefônica que seu nome, Lucas, foi citado em uma conversa de Mário Peixoto com sua mãe, de acordo com a decisão do STJ.

O advogado capixaba de fato já representou a empresa Atrio Rio, ligada a Peixoto. Durante a campanha eleitoral, o senador Romário (Podemos) chegou a apontar que Peixoto teria escrito o plano de governo apresentado por Witzel ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Além de negar a informação, o então candidato chegou a emitir um comunicado dizendo: "Tristão é meu advogado e não tenho qualquer controle sobre os outros clientes dele."

Na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico e Emprego e Relações Internacionais, o clima foi de tensão na manhã de hoje.

A reportagem tenta contato com a defesa do empresário Mário Peixoto.

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